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A Crítica
Opinião

Agressões à liberdade de imprensa

Publicado em 05/05/2020 às 12h23 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h22
Agressões à liberdade de imprensa

É inaceitável que jornalistas em pleno exercício da profissão ainda sejam agredidos verbal e fisicamente em um País democrático. A situação se agrava ainda mais pelo fato de as agressões terem ocorrido durante uma manifestação contra a democracia, um caso  lamentável que aconteceu exatamente no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, em 3 de maio, quando se celebra o papel fundamental da imprensa como um dos pilares da democracia. A agressão em si não deixa de ser um ato simbólico em meio à manifestação antidemocrática. Os que anseiam por regimes totalitários têm na liberdade de imprensa um de seus alvos prioritários.

Atos como os de domingo não deveriam ser encorajados em face do risco de contágio neste período de pandemia, mas já que existem pessoas irresponsáveis o bastante para deles participar, o poder público fica obrigado a mobilizar as forças de segurança para assegurar a ordem, o que inclui evitar as agressões contra a imprensa. Até porque, ao que parece, defensores do totalitarismo têm mostrado fortes tendências à violência. No sábado, profissionais de saúde que faziam um protesto silencioso em Brasília foram os alvos da vez.  Infelizmente, em nosso País, o escandaloso está se banalizando.

Temos o cenário absurdo em que o presidente da República participa de ato contra a democracia, lança ameaças ao Supremo Tribunal Federal (STF) e estimula aglomerações no momento que o País é tomado por uma pandemia que já causou a morte de mais de sete mil brasileiros. É nesse contexto que profissionais de imprensa, cumprindo seu dever de ofício ao promover a cobertura jornalística do evento, são agredidos com socos e pontapés. 

Não basta o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, vir a público no dia seguinte afirmar que a violência contra jornalistas é inaceitável. O que ocorreu os profissionais do jornal O Estado de S.Paulo foi um crime, e como tal, precisa ser apurado para identificação dos responsáveis e punição na forma da lei.

A violência, contra a imprensa ou contra quem for, não pode ser banalizada e ficar impune. Em abril, a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, em coletiva virtual registrada pela Associated Press (AP), ressaltou que a imprensa livre é sempre essencial, mas nunca foi tão necessária quanto nos dias atuais, e lamentou que alguns líderes não tenham a capacidade de perceber isso. 

 

Foto: Ueslei Marcelino 03.mai.2020 /Reuters