Ajuda aos pequenos negócios
Finalmente, o Banco Central resolveu voltar a atenção para os negócios mais atingidos pela crise do novo coronavírus, as micro e pequenas empresas. Ontem, a autoridade monetária anunciou um novo pacote de socorro financeiro para ampliação da oferta de crédito. As medidas anunciadas devem direcionar R$ 212 bilhões em novos empréstimos para empresários de menor porte. O próprio presidente do BC, Roberto Campos Neto, reconhece que o primeiro pacote de ajuda na pandemia favoreceu principalmente as grandes empresas, mas atribuiu o fato à operacionalização do crédito que foi feita pelos bancos.
Algumas providências de ordem técnica foram tomadas para estimular o empréstimo para os pequenos, mas o governo não pode fazer transferência direta de crédito, a decisão de emprestar ou não cabe aos agentes financeiros, que até agora, têm priorizado o grande capital, que pode emprestar quantias mais vultosas e arcar com os juros praticados.
É como se diz nas escolas de economia, o capital não tem alma, consciência ou sensibilidade a respeito das necessidades das micro e pequenas empresas. Os bancos buscam o negócio mais lucrativo, não o que terá melhor impacto social. Cabe ao governo utilizar as ferramentas de que dispõe para estimular a ajuda aos pequenos. Uma alternativa seria a realização de parcerias entre bancos públicos e agências de fomento nos Estados, como a Afeam, no Amazonas, de modo a ampliar a oferta de financiamentos de baixíssimo custo a micro e pequenos empreendedores. Mas essa parceria exigiria o fim da postura hostil que o governo federal tem adotado em relação aos Estados desde o início da pandemia, muito em função da atitude pessoal do presidente da República.
Vamos aguardar que a execução das novas medidas tenha efeito positivo e que os recursos cheguem de fato aos micro e pequenos negócios, que são exatamente os que geram mais empregos no País e que deveriam estar entre as prioridades do governo. Ao invés disso, os pequenos são os que mais sofrem com a pandemia pois não contam com capital de giro, estoques ou lastro financeiro para suportar o período de isolamento imposto pela crise sanitária. É a agonia dos pequenos negócios que alimenta a alta do desemprego e agravamento da crise. A superação das dificuldades que o País enfrenta passa pelo reconhecimento de que os pequenos precisam ser melhor tratados.