Ajudar é sempre melhor
A doação de 200 mil euros, valor equivalente a R$ 1 milhão, por parte do governo francês mostra que o Brasil não está sozinho ao lidar com a crise migratória. Há opções de apoio na comunidade internacional. A solidariedade humana é real, felizmente. Em tempos de expansão dos discursos violentos, estender a mão ainda é a melhor atitude. A ajuda do governo francês certamente fará muita diferença na atuação da Caritas Arquidiocesana de Manaus, que vem desempenhando importante papel no acolhimento dos migrantes, mas que já está no limite de suas capacidades.
É uma ajuda importantíssima, não apenas pelo significado financeiro, mas também pelo exemplo em si, que pode motivar outros governos e a própria população brasileira – sobretudo a parcela que está vivenciando os efeitos da chegada dos migrantes – a ver que a melhor atitude é sempre ajudar, enfrentar o problema com ações positivas, tomando parte na solução, e não ignorando o problema.
O governo brasileiro acertou ao não fechar as portas do País aos refugiados venezuelanos, resistindo às pressões internas por aquela que seria a solução mais fácil e também a mais mesquinha. O programa de interiorização dos refugiados está em pleno andamento e com apoio dos brasileiros e também nas nações amigas, há de ser um grande sucesso.
É compreensível a insatisfação generalizada em Roraima com a presença dos refugiados. A situação ficou muito tensa por lá, principalmente em Pacaraima, município de fronteira, e na capital Boa Vista. A demora, primeiro em ver o problema, e depois em agir a respeito, levou parta de população de Roraima defender abertamente o fechamento da fronteira e expulsão dos refugiados, medida, inclusive, defendida por alguns presidenciáveis.
Mas não é essa a característica do povo brasileiro, famoso por ser sempre acolhedor. A própria formação do povo brasileiro foi fortemente caracterizada por várias ondas migratórias ao longo da história. É parte dos que nos torna uma nação tão diversa.
O momento histórico obscuro vivido pela Venezuela há de passar. Muitos dos refugiados certamente retornarão à sua terra natal – que só deixaram por absoluta falta de opção. A crise no país vizinho será superada e a história registrará que o Brasil esteve entre os que não viraram as costas, mas entre os que preferiram ajudar. Foi assim no acolhimento dos haitianos após o terremoto que destruiu o país em 2010. Não seria diferente agora.