Ajustes na estrutura de governo
O Governo do Amazonas anuncia para o mês de julho a apresentação do projeto de reforma na estrutura governamental. A primeira ideia na proposta de reformar é a de reduzir gastos com isso administrar melhor os recursos financeiros e a máquina pública. Esse ideal, propalado pela maioria dos governantes no início de mandato ou mesmo ainda na condição de candidatos move muitas ilusões e promessas.
Na prática, as condições em que se dão os acordos políticos e partidários atuam de forma mais pesada para os critérios que irão nortear os ajustes. Um erro que tem se repetido é o do arroubo de governantes quanto as reformas para enxugar a máquina pública como ora acontece em nível federal. O puxa-encolhe na redução de ministérios é um dos casos emblemáticos. Governantes apresentam o número de ministérios, criticam esse número, prometem reduzir ao máximo; fazem reduções absurdas e, aparentemente, sem controle, sem buscar saber o que estão cortando, quais serão mesmo os impactos desses atos para, em seguida, pressionados pelos acordos políticos, reestruturar a estrutura que estava funcionando anteriormente.
Um outro dado é a instabilidade a que são submetidos os servidores públicos diante das ameaças de cortar isso e aquilo. Na atual temporada de governos, essa prática ganhou reforço enorme. Em um clima de hostilidade e de promoção da instabilidade, os ajustes da estrutura governamental tendem a funcionar no sentido contrário daquilo a que são, inicialmente, movidos, o de promover economia e otimização de todos os recursos.
O tema em si já é amargo e impopular. Deveria ser precedido de um estudo responsável, elaborado em tempo adequado, e que pudesse realmente projetar o que é a máquina administrativa e o que poderá vir a ser a partir da tomada correta de decisões. Não é feito assim. Ao contrário, o pós-campanha serve, para uma expressiva parcela dos eleitos como a temporada de caça às bruxas. Pouco se sabe sobre como funcionou a máquina administrativa, quais programas e projetos responderam bem às demandas da população e quais necessitam ser revistos, ajustados ou até desfeitos. Espera-se que o governador do Amazonas possa, nesse início de gestão, municiar-se tecnicamente de dados para trabalhar os ajustes na estrutura administrativa combinando a necessidade de ajustar mais pela competência do que pelos acordos políticos.