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A Crítica
Opinião

Alimentos para os famintos

Incentivo a doações e compartilhamento de alimentos aos famintos sã incentivados por líderes religiosos nessa época de Natal.

Publicado em 17/12/2022 às 09h14
Alimentos para os famintos

O dia de Natal se aproxima. Ao longo deste mês têm sido intensificados os pedidos para doação principalmente de alimentos a famílias em situação de vulnerabilidade. Religiosos que atuam com responsabilidade nas diferentes religiões usam seus espaços de trabalho para pedir que as pessoas gastem menos com presentes de preços elevados e compartilhem comida com os famintos em Manaus e de todo o Amazonas.

Parcela de consumidores que costumam fazer compras semanais ou mensais em supermercados sabem o impacto dessas aquisições na renda familiar. Embora alguns itens de alimentos tenham tido pequena redução no preço, outros permanecem em patamar elevado não resolvendo a equação da economia doméstica. A reclamação é ampla de uma classe média que ainda consegue ter salários pagos mensalmente.

Aposentados com valores abaixo do teto veem o dinheiro se esvair sem que possam assegurar a compra de alimentos, do vestuário e dos remédios, utilizados por parcela expressiva dessa categoria. Sofrem revezes que estão difíceis de serem reparados e se angustiam todo mês ao perceberam que cada vez mais perdem poder aquisitivo.  Muitos desses senhores e senhoras permanecem como responsáveis financeiramente por suas famílias com desempregados e alguns na informalidade.

O pedido de doação de alimentos que possam efetivamente alcançar os que passam fome é um ato concreto de ação em meio do cenário de desorientação quase coletiva e do quadro de aprofundamento da pobreza no Brasil. Nessa semana que antecede as atividades do Natal, os cidadãos possam pensar e verificar o que podem compartilhar para com aqueles que nesse momento prolongado têm muito pouco ou nada têm, a fim de que suas angústias sejam minoradas e, alimentados, se animam em lutar pela vida com dignidade, pressionar para que sejam inseridos na economia e na sociedade como pessoas portadoras de direitos.

A fome no Brasil e, especificando, em Manaus e no Amazonas, não é abstração. É real, dói, atinge milhares de pessoas e tem se prolongado como realidade. Os governos, responsáveis pela impulsão de políticas públicas, pela segurança alimentar, não podem permanecer na mesma postura, são convocados a ampliar as ações que alcancem os famintos, tenham continuidade, sem tumultos e troca de favores eleitorais, desenvolver programas de geração de renda tendo foco nos mais vulneráveis. E a sociedade é chamada a perceber, não condenar e se tornar mais sensível diante desse drama social.