Amazonas pede pacto amplo no combate à fome
Pesquisas indicam a existência de mais de um milhão de pessoas em situação de insegurança alimentar no Estado
A insegurança alimentar no Amazonas alcançou níveis elevados e impõe a necessidade de governos, empresariado, instituições e sociedade unirem-se em ações conjuntas, imediatas e eficientes para enfrentar a situação.
Números divulgados por pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), durante encontro com representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em 24 de junho, em Manaus, indicam a existência de mais de um milhão de pessoas em situação de insegurança alimentar no Estado. Desse total, 600 mil estão no nível grave, quando falta de alimentos à mesa.
Mais de 24% da população estadual na condição de insegurança alimentar representa retrocesso preocupante e denuncia a fragilidade da política pública destinada a atender demandas nessa área. A Arquidiocese de Manaus já está em atividade dentro do seu campo de atuação para debater a conjuntura da fome no Estado e na cidade de Manaus e propor ações que possam garantir o alcance aos alimentos por parte das famílias que não estão conseguindo assegurar uma refeição completa por dia.
A Campanha da Fraternidade deste ano – “Fraternidade e Fome” – busca mobilizar os cristãos em todo o país para refletir sobre a fome e organizar iniciativas que promovam o direito fundamental à alimentação e a montagem de programas que possam, em curto, médio e longo prazos, promover a segurança alimentar. A rede da Igreja Católica constituída por inúmeras instâncias entre as quais as pastorais utiliza a CF como instrumento de sensibilização da comunidade católica e de adoção de medidas que possam reduzir e gradativamente eliminar desperdício de alimentos em casa, no trabalho, no lazer, cultivar a conduta fraterna.
Aos governos, a tarefa é incluir a pauta da insegurança alimentar no Amazonas como uma das prioridades. Em Manaus, os sem-alimentos são visíveis e precisam ser acolhidos. O patamar elevado da fome no Estado não deveria ser subestimado ou secundarizado nas ações governamentais, ao contrário, pede a presença firme e determinada do governador e dos prefeitos, bem como dos representantes dos demais poderes criando um pacto pelo combate à fome.
Os famintos sejam eles do nível moderado ou grave não podem esperar. Precisam comer, sentir alimentados e apoiados para poder sair desse quadro crítico e vergonhoso em que a sociedade amazonense se encontra.