Amazônia em destaque na marcha da ciência
A marcha virtual pela Ciência, realizada no dia 7 de maio, pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) com apoio de instituições e coletivos populares deu um passo importante para a quebra de terminados protocolos e nos enlaces por maior aproximação entre cientistas e diferentes segmentos da sociedade. Primeira marcha virtual, mudança provocada pela Covid-19, o evento da SBPC promoveu atividades por todo o dia e parte da noite na qualidade totalidade das capitais brasileiras e outras cidades. Debates, seminários, painéis, tuitaços em dois momentos enfocando o tema ‘Um PaCTo pelo Vida”.
Em Manaus, com apoio da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (ADUA), a secção estadual da SBPC organizou painéis que proporcionou conversações e apresentações tendo a Amazônia e o Amazonas, em particular, como questões. Dados de pesquisas apresentados pelo cientista Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) revelam um quadro substancial das pressões que estão sendo feitas na Amazônia, do que já foi concretizado em relação ao desmatamento, a exploração dos recursos naturais e, principalmente, dos pedidos de concessão de áreas. Para o biólogo Fearnside há, na região, alguns pontos de não retorno, aquilo não poderá ser recuperado ou que está perdido.
Os professores Gersem Luciano dos Santos, doutor em antropologia social, membro do Fórum Nacional de Educação Escolar e Saúde Indígenas Foreeia) formulou um cenário da inumanidade e disse ser necessário agir para reumanizar a ciência, a política, a economia e as religiões. E João Paulo Barreto, doutorando na UFAM, responsável pelo desenvolvimento do centro de medicina indígena, em Manaus, criticou o caráter discriminatório da ciência ocidental e defendeu a inclusão de disciplinas que contemplem o conhecimento indígena com igual valor dado às demais disciplinas institucionalizadas nos cursos universitários.
A SBPC tem como fruto da inédita marcha virtual subsídios diversos para compor programações que possam cada vez mais contemplar diferentes sujeitos e conversas. Bem como potencializar o uso de arranjos tecnológicos para reduzir distância entre produtores da ciência e as populações brasileiras, aprofundar intercâmbios científicos tendo os povos indígenas, os negros, os quilombolas, ribeirinhos, as mulheres como público alvo. A ciência tem a chance de estabelecer novo posicionamento e, sem ignorar os conflitos de interesse, reforçar a aliança com a sociedade.