Amazônia pede programa estratégico
Governo precisa reestruturar as instâncias de fiscalização e de prevenção ao desmatamento e aos incêndios criminosos
O compromisso do governo brasileiro de zerar o desmatamento na Amazônia até 2030 estabelece dois eixos importantes e problemáticos: reinsere o país em contexto mundial em uma conduta de enfrentamento ao desmatamento principalmente na Amazônia e lida com a derrubada de árvores que permanece em taxa elevada.
Ao comprometer-se internacionalmente em cumprir uma meta difícil, o governo precisa reestruturar as instâncias de fiscalização e de prevenção ao desmatamento e aos incêndios criminosos, capacitar tecnicamente os recursos humanos que atuam nessa área, ampliar o número de servidores e modernizar os recursos tecnológicos que dão suporte as atividades. Ao mesmo tempo os responsáveis pelo desmatamento precisam prestar contas à justiça a fim de afastar cada vez mais a noção de impunidade ainda prevalente nesse setor.
Outra ação se faz necessária e esta tem relação direta com um programa de educação para a natureza a ser desenvolvido em todos os níveis de escolaridade e também na sociedade. Conhecer e apreender sobre a importância da floresta, do ecossistema amazônico e a relação direta que este tem com a vida é fundamental. Quanto maior for o número de pessoas que compreende a razão de se lutar pela vida de um rio, de um igarapé, das fontes de água, das árvores em pé mais haverá reforço às lutas e posicionamentos para convivência progressivamente harmoniosa do humano com o que se convencionou chamar de meio-ambiente.
A Amazônia está na centralidade do debate internacional e a floresta da região tornou-se um tipo de moeda de elevado valor ou motivação para a formação de pactos e acordos com governos de vários países visando proteger e conservar essa floresta. O cenário é de conflito permanente, o que alimenta a instabilidade dos que vivem nas cidades amazônicas, diferentes formas de violência, terror e morte. Grupos de destruidores da floresta financiados por empresários, amparados por outros segmentos inclusive de agentes públicos permanecem em ação no interior da Amazônia.
Enfrentar esses grupos e determinados setores do empresariado e da sociedade civil que concordam com o modelo de destruição da floresta é ter a capacidade de montar uma estrutura estratégica de braços longos e eficientes que consiga sensibilizar em nível local, regional e nacional. Por enquanto, a maioria das cidades amazônicas vive uma realidade de pobreza, fome e violência.