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A Crítica
Opinião

Amazônia, Resistência e a Bienal da UNE

Por Yann Evanovick, Historiador, Curador de Arte e Ex-Presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas - UBES

Publicado em 30/01/2023 às 16h09 · Atualizado em 30/01/2023 às 16h20
Amazônia, Resistência e a Bienal da UNE

Nos próximos dias na cidade do Rio de Janeiro, inicia a 13ª Bienal de Ciência, Cultura e Arte da UNE, com o tema: Um Rio Chamado Brasil. Durante quatro dias, estudantes de todo país irão apresentar, debater e prestigiar apresentações culturais e científicas, também festejar e naturalmente se preparar para os desafios do ano.

Nos marcos de um novo governo, que começa demonstrando disposição de diálogo, os estudantes brasileiros responsáveis pelo movimento que ficou conhecido como Tsunami da Educação contra o desmonte promovido por Bolsonaro, novamente retomam a agenda do movimento social.

Quando pensamos a Bienal dos Estudantes, o sentimento é de paixão e a vontade de defender esse país de forma democrática se torna ainda maior, seja pela conjuntura política complexa ou por ser a primeira vez na história da atividade que – a Amazônia está no centro, isso me faz lembrar de um diálogo que tivemos na preparação de uma das bienais, quando nos perguntávamos qual seria o maior legado da Bienal? De pronto refletimos “os estudantes brasileiros ao retornar para os seus estados, precisam voltar ainda mais apaixonados pelo Brasil!”. 

E nesse sentido é incrível como as entidades estudantis conseguem conjugar a tradição de luta com a criatividade e as pautas de seu tempo. O mundo tem olhado para o Brasil através da Amazônia, infelizmente devido a intensa violência empreendida nos últimos quatro anos, desmatamento e ataques aos povos indígenas.

Mas é preciso um alerta, essa atenção e apoio não podem atentar contra a soberania da região, “a Amazônia é do mundo” poderia soar agradável a um desavisado, mas como amazônida tenho o dever de afirmar: O mundo pode ajudar a Amazônia, mas o que está no território brasileiro é dos brasileiros, a Amazônia que está no território dos países vizinhos pertence a suas nações, conjuntamente devemos de forma soberana fortalecer nosso território e nossos povos. 
Ressalto, pois é comum em momentos de fragilidade, onde ficam claras as dificuldades da região, que se utilizem desses problemas para disseminar discurso de internacionalização da Amazônia, o 1º Encontro de Estudantes da Amazônia realizado em 2021 e a Bienal da UNE também cumprem o papel estratégico de dizer aos brasileiros e ao mundo que a Amazônia é nossa!

Ao tempo que vejo esse marco importante, sei da responsabilidade das entidades com essa construção pautada na Educação, na Ciência e na Cultura e destaco a transversalidade da temática da justiça ambiental para enfatizar o encontro desse e outros tantos temas importantes na programação, um verdadeiro encontro dos Brasis, cheio de alegria, a cara do povo brasileiro.

Aliás, puxando a sardinha para o nosso lado, como costumamos dizer, que emoção ver como parte das homenagens a apresentação dos Bois Bumbás – Garantido e Caprichoso, talvez a maior parte das pessoas não tenham a dimensão desse gesto, por algumas horas o palco da Bienal se transformará no coração da Amazônia.

Como as toadas do meu boi Garantido:

Vou feliz, vou brincando de boi,
Dos quatros cantos do Brasil, eu sou Vermelho
Sou carioca, tenho a ginga do malandro
Eu sou gaúcho, e lá dos pampas vou chegando…

Isso é resultado de eleger jovens de norte a sul para o comando das três entidades nacionais do movimento estudantil, esse giro ainda que demorado, possibilitou pela primeira vez uma Amazonense –  a estudante Bruna Brelaz presidir a UNE, do bairro de Petrópolis, filha da Dona Dyla e do Seu Carlos, contrária porque a gente não fala o nome do Boi adversário, risos.

A caboquinha que gosta do boi de estrela na testa, se vestiu de Azul e Branco e junto com os estudantes do país em defesa da educação, orgulha os amazônidas e faz da sua tarefa um estandarte, como quando sonhava em ser Cunhã – Poranga.
Como diz o escritor Márcio Souza “Cada orquídea ou ninho de pássaro, cada peixe a saltar no dorso daquele rio de veludo, que sejam como um encontro com a memória popular rediviva e uma homenagem a resistência”.