Amazônia, um passo à frente
O consórcio interestadual de governadores da Amazônia para negociar recursos com países europeus é uma das boas notícias em tempo de notícias sombrias. O mecanismo jurídico pensado e concretizado é uma resposta criativa ao perfil de política econômica-ambiental que o governo brasileiro está adotando, e contrário aos pactos firmados há anos para garantir a existência do Fundo Amazônia dos quais países como a Noruega e a Alemanha são os principais financiadores mediante a adoção de programas que barrem a devastação nesta região. Por meio do consórcio, os oito governadores da Amazônia esperam manter o fundo e instrumentos estratégicos para o desenvolvimento integrado da Amazônica.
O conflito e as separações criadas pelo governo brasileiro com os governos alemão, norueguês e francês, a partir dos posicionamentos do presidente da República, geraram um problema grave aos Estados da Região Amazônica que viram se concretizar a posição desses países em cessar investimentos para conter a derrubada da floresta e proporcionar alternativas de desenvolvimento. A decisão de discutir o quadro crítico a que a região estava sendo submetida mobilizou governadores e possibilitou a confecção desse consórcio por meio do qual os governadores passarão a negociar diretamente, a partir de uma representação, com os financiadores europeus.
Nessa primeira fase, o conjunto dos governadores deliberou que o governador do Amapá, Waldez Goes, será o presidente do consórcio. Na Amazônia são aproximadamente 30 milhões de pessoas que têm modelos de vida que, na maior parte, estão diretamente vinculados à floresta, às águas, ao extrativismo de pequena escala, à pesca e a coleta. Projetos desenvolvimentistas que investem contra a floresta em pé são para essa Amazônia uma ameaça de morte, primeiro o desmatamento em larga escala, depois a alteração do ciclo das águas e das outras vidas seguida de uma mudança cujo efeito pode ser catastrófico para toda a população mundial.
Pensado para funcionar nos moldes de uma autarquia pública, o Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável terá um escritório central em Brasília e uma política de atuação projetada para ser dinâmica, propiciando aos governadores a formação de parcerias, assinatura de convênio conjuntos, compras públicas e compartilhamento de serviços. A ideia é boa e exigirá dos governadores uma performance que influenciará na formação de um bloco mais autônomo. A partir de agora o teste da gestão dependerá da visão e da percepção mãos desses governadores.