Ambulantes nas calçadas
O dilema dos ambulantes e também dos camelôs, é um problema muito antigo n na cidade de Manaus. A Prefeitura Municipal bem que tentou por meio da remoção dos comerciantes para as “galerias populares”, mas é fato que não está dando muito certo. Nas galerias, muitos boxes passam os dias vazios enquanto os camelôs preferem ocupar ruas do centro, adjacentes a avenidas como a Eduardo Ribeiro. Para piorar, locais como a avenida Epaminondas, também no Centro, estão tomadas por ambulantes – vendedores de frutas e verduras. A situação coloca em risco os pedestres, que precisam caminhar pela pista, já que as calçadas estão sempre tomadas.
O caso é delicado porque os ambulantes que ocupam as calçadas são apenas pais e mães de família buscando uma forma de garantir o pão de cada dia. Por outro lado, é inadmissível que pedestres sejam obrigados a se expor ao perigo por falta de espaço nas calçadas.
Em algumas cidades, há experiências que vem dando certo, com o desvio do trânsito em determinados dias e horários e permissão para presença dos ambulantes apenas nesses dias. É um meio termo que pode ser estudado para verificar a aplicabilidade em Manaus.
A atividade informal é a fonte de renda para muitas famílias, e ela pode ser exercida dignamente sem que haja ocupação irregular de calçadas. O problema tende a aumentar em dezembro, quando o fluxo de pessoas no Centro deve se intensificar, atraindo ainda mais ambulantes.
Um dos desafios é evitar o surgimento de aglomerações como a que se vê na Epaminondas. A atuação da Prefeitura é indispensável e já foi demonstrado que a ação pontual funciona. Foi assim em dezembro de 2014, quando pelo menos 60 barracas foram instaladas da noite para o dia na calçada em frente ao Shopping Via Norte, no bairro Monte das Oliveiras, Zona Norte. Fiscais da Prefeitura não permitiram que o “point” se consolidasse e os camelôs se retiraram. A ação “em cima do lance” também teria grande impacto sobre a indústria da invasão.
Enfim, é preciso que se desenvolva em Manaus um tipo de consciência cidadã bastante rara nos dias de hoje. A consciência de que o espaço público não pode ser usado como se fosse particular, de que é preciso respeitar as outras pessoas e seu direito de livre locomoção e de que há formas de conquistar o sustento sem enfeiar a cidade.