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A Crítica
Opinião

Ameaças ampliadas

Publicado em 09/03/2021 às 11h32 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h48
Ameaças ampliadas

A desigualdade somada à cultura da violência são a base dos crimes cometidos contra a mulher em todo o mundo e, particularmente, no Brasil que vive um período de retrocessos nas ações governamentais voltadas para as mulheres. A base montada e em processo de implementação nas cidades brasileiras tem sido desmantelada abrindo espaço maior aos atos de violência e do feminicidio.

É longo o caminho de mulheres e homens comprometidos com a instituição de mecanismos que funcionem para assegurar os direitos humanos da mulher e os demais direitos. Mesmo nos países cujos governos estão vinculados ao regime democrático não foi possível concretizar mudanças radicais nessa relação e esses também são palcos de atrocidades praticadas contra as mulheres. A questão remete a discussão sobre que perfil de democracia está funcionando nessas nações.

Obter a resposta com maior nitidez possível significa ter a possibilidade de trabalhar democracias mais comprometidas no conteúdo e não somente na forma, o que passa necessariamente pela inclusão real da igualdade e da diversidade. Ao mesmo tempo, situa a emergência de novas políticas públicos de gênero, revisão daquelas em vigor e sensibilidade administrativa na definição de modelos de desenvolvimento dessas políticas. Respeitar as especificidades das mulheres em cada cidade e região e vencer a visão generalizante dessas iniciativas é, na atualidade, uma das reivindicações formuladas tanto por coletivos de mulheres quanto por pesquisadores dessa área.

Os dados fartamente apresentados pela mídia, como os divulgados no 8 de Março deste ano, demonstram como o ser mulher carrega a insegurança e sentenças que podem culminar com a morte. Desigualdade e violência nas relações de gênero são mais que um número, têm rosto, corpo, nome, cor da pele, endereço. Permitir que essas palavras permaneçam banalizadas é aceitar que a impunidade prevaleça e o sistema de negação de direitos continue funcionado no mesmo patamar do quadro atual.

Nenhuma democracia se completa pela exclusão e ou submissão de mulheres. E nenhum desenvolvimento poderá ser considerado desenvolvimento na perspectiva humanizadora enquanto as regras no qual está assentada a proposta repetir os acordos e as normas que pactuam a exploração laboral, sexual e política de mulheres. Cada vez que a democracia piora agrava-se a condição de vida da sociedade e da mulher, maioria na composição da representatividade democrática. É o que  está posto hoje no Brasil.