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A Crítica
Opinião

Apelo por paz

Publicado em 26/10/2022 às 08h53
Apelo por paz
Foto: Reuters

O simples fato de estarmos discutindo a possibilidade do uso de armas nucleares na guerra Rússia-Ucrânia já é, em si, extremamente grave. Trata-se de uma regressão gigantesca. Há exatos 60 anos, o mundo vivia situação muito semelhante, no evento que ficou conhecido como a “crise dos mísseis de Cuba”. Na ocasião, estivemos à beira de um conflito nuclear, quando a antiga União Soviética instalou mísseis nucleares balísticos na ilha caribenha, num claro desafio aos Estados Unidos.

O mundo prendeu a respiração por 13 dias até que se chegasse a um acordo. Foi o mais perto que se chegou de uma guerra nuclear em que não haveria vencedores. Parece impossível evitar que a humanidade trave guerras. Elas existem desde que os primeiros ancestrais do homem surgiram sobre a Terra. É uma triste e lamentável invenção humana. No entanto, é fundamental evitar a utilização de armas de destruição em massa como as ogivas nucleares. 

O mundo não pode esquecer os horrores de Hiroshima e Nagasaki, quando 110 mil pessoas morreram instantaneamente, e outras tantas morreriam anos depois em decorrência dos efeitos da radiação. Uma mancha indelével na história humana que deveria ter sido o ponto final para as armas nucleares.

Infelizmente, não foi o que aconteceu. Novos armamentos foram desenvolvidos tendo como base a tecnologia nuclear, cada vez mais potentes e destrutivos. Nações passaram a exibir seus arsenais como forma de intimidação aos oponentes, de modo que o fantasma nuclear se mantém sempre presente. A escalada de tensão instalada desde o início da guerra na Ucrânia atingiu um novo patamar nesta semana com russos e ucranianos acusando mutuamente o potencial uso de “bombas sujas”, explosivos convencionais que propagam material nuclear, químico ou biológico. A afirmação por parte de autoridades norte-americanas de que não haveria indícios de a Rússia teria decidido usar armas desse tipo não foi suficiente para reduzir a temperatura. 

Mais do que nunca, as nações precisam se unir em torno da paz. A controvérsia entre russos e ucranianos precisa chegar a um bom termo. É urgente que a paz seja restabelecida, sob pena de vermos a escalada belicista chegar a um ponto de não retorno, arrastando outras nações para o conflito.