Áreas de risco e o tamanho da vontade política
Alguns eventos estão colocados na lista das motivações pela ocupação desses lugares arriscados
As informações sobre famílias morando nas áreas de risco no Brasil apontam para a existência de 14 mil pontos em todo o país. São dados de levantamento divulgando pelo governo federal e, embora esses locais possam ser bem mais, o número mostra o tamanho do problema nacional.
Quais são as motivações de milhares de brasileiros decidirem morar em áreas que podem levá-los à morte? A resposta é parte da tomada de decisão para enfrentar a grave situação e iniciar a implantação de um outro sistema. O trabalho é árduo e complexo, envolve interesses diversos e só poderá ter êxito se o interesse maior for acatado e assegurado, o de salvar vidas.
Alguns eventos estão colocados na lista das motivações pela ocupação desses lugares arriscados. O jogo eleitoreiro que ora incentiva grupos de pessoas a ocuparem essas áreas em troca de votos, a expulsão de moradores de determinadas regiões para ceder lugar a empreendimentos turísticos, alguns luxuosos, ou de outros complexos forçando comunitários a saírem e se alojarem em locais com preços mais baixos e riscos muito elevados; a precarização da vida, desemprego, pobreza e fome estimulando o êxodo de milhares de pessoas tanto nas próprias cidades quanto em direção a outros municípios que podem representar a oportunidade de emprego, de melhorar a vida; e os impactos gerados pela mudança climática.
A intenção anunciada por ministros do governo federal é de construir um pacto nacional, envolvendo governadores, prefeitos e segmentos da sociedade, para um novo posicionamento em relação às ocupações em áreas de riscos. A costura do pacto irá exigir observância à legislação, superação de um determinado padrão do fazer política e gestão pública e avançado modelo de monitoramento dessas áreas.
As pessoas que moram nesses locais terão que ser convencidas a deixaram esses locais sob a garantia de que estarão em habitações mais seguras e dignas; identificar os especuladores e criar impedimentos para que continuem nessa ação; prevenir que ocorram novas ocupações. Os alertas e anúncios de medidas no trato das áreas de risco não podem ter a duração das notícias sobre a tragédia mais recente, a de São Paulo. Outras tantas ocorreram, chora-se os mortos, solidariedade com os vivos atingidos e, depois, as cenas se repetem. A mudança é impedir que essa repetição ocorra.