Arrecadação federal bate novo recorde
Mesmo com todos os efeitos negativos da pandemia de covid-19 sobre a economia do País, o fisco mostra, mais uma vez, que não existe tempo ruim quando o assunto são impostos. A arrecadação federal acaba de estabelecer um novo recorde histórico, ao atingir R$ 1,87 trilhão em 2021, com aumento real de 17,3% em relação a 2020. No mesmo período, houve encolhimento da renda média do trabalhador; no trimestre encerrado em outubro de 2021, os brasileiros receberam, em média, R$ 2.449, a menor renda média de toda a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, iniciada em 2012.
Isso sem falar nos demais fatores que afetam diretamente a capacidade contributiva dos cidadãos, como desemprego e inflação elevadíssima. Como explicar a alta na arrecadação federal em meio a esse cenário bastante desfavorável? Especialistas apontam um conjunto de fatores, porém, um dos mais relevantes é o constante aperfeiçoamento da máquina arrecadadora, a cada ano mais informatizada, moderna e eficiente. O Fisco é uma das raras instituições estatais que se destaca por sua extraordinária eficiência. Não é à toa que a arrecadação federal vem crescendo e batendo recordes ano após ano, desde 2016. A exceção foi exatamente o ano de 2020 por conta do solavanco global causado pela pandemia.
Obviamente, o recorde recém-alcançado é tratado nos círculos do governo federal como demonstração inequívoca de que o País já teria engatado a quinta marcha e avança velozmente para uma recuperação em “V”. Esse é o desejo de todo cidadão medianamente esclarecido. Infelizmente, o panorama se mostra um pouco menos simplista. Ao mesmo tempo que o governo celebrava a arrecadação, o Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciava a redução da previsão de crescimento do Brasil em 2022. A projeção caiu de 1,5% para 0,3%. As razões são bastante óbvias: o contexto é de desaceleração da economia mundial provocada por uma crise nas cadeias de produção, aumento nos preços de energias e alimentos, com efeitos inflacionários em todo o mundo. No Brasil, a inflação superou 10% em 2021, levando à alta dos juros e impactando toda a produção nacional. A melhora interna depende de mudanças no panorama internacional. Não tem mágica.