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A Crítica
Opinião

As crianças e a falta de alimentos

O Estado tem condições reais de enfrentar a situação e reduzir em nível muito baixo o índice dos que não têm acesso a alimentos diariamente

Publicado em 28/07/2022 às 09h09
As crianças e a falta de alimentos
Foto: Reprodução / Agência Senado

A Região Norte é a que apresenta o pior índice de distribuição de alimentos no País, 71,6% e a mais elevada taxa de insegurança alimentar – 4.6 milhões da população nortista. Os efeitos desse cenário na vida das mulheres e, notadamente, das crianças com idade abaixo de 6 anos, são perversos. Milhares de crianças apresentam quadro de desnutrição, na região e Brasil todo, com sequelas irreversíveis para parcela dessa população de acordo com especialistas da área.  

Os números do Segundo Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto de Pandemia da Covid-19 no Brasil e de outras organizações como a Fundação Abrinq, demonstram o crítico quadro das crianças no item acesso a alimentos. Ao mesmo tempo comprovam, por meio de pesquisas, a necessidade urgente de ações que possam enfrentar e minimizar a fome das crianças e de suas famílias.

A Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (PENSSAN), responsável pela realização e divulgação, em junho, do estudo Segundo Inquérito Nacional, tem feito por meio dos dados alerta sobre o agravamento das condições de vida das crianças brasileiras que vem sendo acentuado desde o ano de 2020 e, hoje, bastante acentuado.

Não menos trágica é a situação das mulheres pobres e em situação de miséria que deixam de comer para garantir algum tipo de comida aos seus filhos pequenos e ou aos mais idosos, os vulneráveis. A falta de sensibilidade e de determinação política governamental para socorrer essas famílias aprofundou as dificuldades e tornou presente cotidianamente a fome. Sem alimentos, mulheres e crianças estão submetidas ao processo progressivo de desnutrição, de angústia e sofrimento em larga escala.

No Amazonas, perceber os famintos e as formas da presença da fome depende da disposição e da importância que os governos estadual e municipais darão à questão. O Estado tem condições reais de enfrentar a situação e reduzir em nível muito baixo o índice dos que não têm acesso a alimentos diariamente. Os indicadores apresentados pelos estudos nesse setor demonstram que aproximadamente 5 milhões de pessoas sofrem, Amazônia, com a falta de alimentos ou não são contempladas pelos programas de distribuição. Há algo no mínimo estranho e denunciador: por que parte da população do Amazonas e da Amazônia passa fome?