As filas da vergonha nacional
Busca desesperada pela atualização ou inscrição no CadÚnico para receber o Auxílio Brasil gera filas com a té dois dias de antecedência
As filas dos pobres mostradas na quinta-feira (7) pelo noticiário nacional em diversas capitais brasileiras traduzem o tipo de tratamento dispensado pela oficialidade aos mais vulneráveis. A busca desesperada pela atualização e ou inscrição no Cadastro Único (CadÚnico) que permitirá o acesso ao auxilio Brasil vem gerando multidões em filas gigantescas que estão sendo formadas com até dois dias de antecedências e em áreas precárias, não preparadas para receber esse contingente humano.
Os relatos de beneficiários dão a medida da agonia porque passam: medo de perder o auxílio que para milhões é, na atualidade, a única fonte de recurso. O prazo entre a informação de que necessitam atualizar os dados e tempo que os beneficiários têm o prazo é, para a maioria dessas pessoas, muito curto. A situação fica pior pelo serviço de atendimento oferecido. Na maioria das cidades, o que está sendo mostrado é uma multidão de pessoas à espera de ser ouvida e ter sua questão resolvida.
Pessoas idosas, doentes e com deficiência física são igualmente expostas a esse constrangimento público nacional que está sendo tratado como normal para esse tipo de demanda. Não é. A falta de planejamento e o desrespeito aos cidadãos, tratados como párias, justificam esse processo marcado pela violência. O calendário de atualização e ou inscrição no CadÚnico pode ter um modelo mais adequado por cidades e o universo de pessoas a serem atendidas.
As informações disponíveis nos órgãos públicos, se forem levadas a sério, podem ser usadas para organizar o atendimento. Os recursos tecnológicos existem e estão disponíveis para apresentar, com criatividade e responsabilidade, boas soluções. O que ocorre é o comportamento a toque de caixa, movido também por interesses eleitoreiros que costumam romper com os limites da probidade administrativa e da sensatez.
Submeter milhões de pessoas a esse tipo de sofrimento e escárnio é conduta que deve ser questionada junto aos governos e responsabilizá-los de forma justa pelos danos causados a esses brasileiros torna-se uma necessidade. Que os órgãos de fiscalização e controle dos atos do Executivo se pronunciem e façam funcionar os instrumentos legais em defesa dessa população que já vive profundo nível de sofrimento em decorrência das privações a que está submetida.