As janelas da CPI da Covid-19
A Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado que investiga a postura do governo federal no enfrentamento da Covid-19 tem sido um palco rico da demonstração de pouco caso de gestores públicos e de empresários com os bens públicos e a dor da população brasileira.
Na última semana, durante depoimentos de dois empresários, foram evidenciadas posturas de arrogância e de falta de responsabilidade social. Nas tumultuadas sessões da qual participaram Luciano Hang e Otavio Fakhoury foi possível perceber uma forma de atuação de pequena parcela empresarial brasileira que desrespeita a legislação e usa seus espaços de atuação em atividades nada republicanas, algumas que até ferem mesmo artigos constitucionais.
Um dos aspectos da CPI da Covid-19, para além da fiscalização daquilo que é a motivação da criação desse grupo de trabalho investigativo, são as janelas abertas sobre procedimentos entre autoridades públicas e setores empresariais. Os relacionamentos explicitados possibilitam acessar uma radiografia de práticas que deveriam ter sido superadas e, na atualidade, banidas do elo governo/empresa.
Verba pública disponibilizada a empresários que afirmam ter alta rentabilidade e lucro elevado por anos seguidos, mesmo no período de pandemia, quando a maioria das empresas e dos trabalhadores enfrentam crise aguda. No rastro do futuro relatório final da CPI da Covid-19 a sociedade nacional espera que sejam situados questionamentos sobre como empresários ricos dispõem de financiamentos públicos com aparente facilidade enquanto outros micro e pequenos empresários não conseguem obter recursos para levar adiante seus negócios.
Hang e Fakhoury são dois exemplos de atuação empresarial que está longe dos princípios de responsabilidade social.
Não são os únicos, apenas parte de um grupo que se coloca acima da lei e da ordem e, dentro do governo, atua com elevado grau de liberdade para abocanhar recursos públicos e se colocarem como espécies de assessores governamentais de luxo. O que se viu na CPI é um escárnio com direito a torcida organizada de parlamentares que juraram sob a Constituição honrar os mandatos e defender os interesses da população brasileira.
A pandemia da Covid-19, perto de atingir a 600 mil mortes, passou a ser percebida como oportunidade para empresários, parlamentares e agentes públicos com atuação na estrutura governamental, para ações lucrativas que não consideraram o drama pelo qual os brasileiros passavam e, ainda hoje, milhares vivem.