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A Crítica
Opinião

As lições de 2023

Os eventos climáticos extremos de 2023 – seca histórica na Amazônia, fogo, fumaça, chuvas intensas na Europa e no sul do Brasil, terremotos – demonstram que o ponto do não retorno, sobre o qual pesquisadores tentam sensibilizar governos e sociedade, é questão para não ser banalizad

Publicado em 30/12/2023 às 17h51
As lições de 2023
Foto: Agência Brasil

O ano de 2023 está encerrado. Em balanço mais geral os números mostram realidades adversas e, se importarem, ficam como lição para serem aprendidas ou ignoradas. Na festa de recepção ao novo ciclo e na pós-festa os indicativos são da urgência de que se preste atenção nesses números e os façam falar.

O ritual de recepção ao ano novo mobiliza sentimentos de esperança e carrega a ideia de confraternizar, de lançar votos da bem-aventurança e da superação de situações difíceis. Na maioria das culturas, viver a passagem de um calendário para outro é o motivo de grandes mobilizações religiosas e festivas.

A humanidade está diante do desafio de fazer valer a vontade da boa notícia suplantar o quadro de violências em que foi submetida por uma lógica de poder político e econômico de alguns governos do mundo. Nessa disputa para manter e ampliar o poder, muitos povos são tratados como pessoas de segunda classe que assim devem permanecer para aqueles percebidos como superiores possam continuar com garantias e privilégios. São governos que produzem guerras e promovem ações genocidas, se declaram ter o direito de promover matança inclusive de mulheres e crianças e recebem o sim de outros governos a fim de prosseguirem com suas guerras.

O ano ora encerrado deixa 730 milhões de pessoas que passam fome; 2 bilhões em situação de insegurança alimentar, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). No Brasil, são 31 milhões dos que não conseguem ter acesso aos alimentos. Os que estão fora do serviço de abastecimento de água somam 2 bilhões e os que não têm acesso ao saneamento são 3.6 bilhões.

Os eventos climáticos extremos de 2023 – seca histórica na Amazônia, fogo, fumaça, chuvas intensas na Europa e no sul do Brasil, terremotos – demonstram que o ponto do não retorno, sobre o qual pesquisadores tentam sensibilizar governos e sociedade, é questão para não ser banalizada. Ao contrário, precisa ser levada aos mais diferentes ambientes, envolver comunidades, organizações dos movimentos sociais, trabalhadores e empresários. Até agora, permanecem elevados os projetos de desenvolvimento que ignoram essa pauta e insistem em ações de agressão ao meio ambiente. A financeirização da vida e a sistemática destruição ambiental são ameaças que se não forem paradas, mais tragédias terão lugar nas cidades.