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A Crítica
Opinião

As línguas indígenas no mundo

Publicado em 18/02/2019 às 12h52 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h47
As línguas indígenas no mundo

Em descompasso interno a partir da conduta assumida pelo governo federal, a questão povos indígenas ganha centralidade em organismos internacionais. O Ano Internacional das Línguas Indígenas, definido para este 2019, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) põe em pauta um dos assuntos de relevância para o Brasil e o mundo e que tem sido historicamente deixado de lado.

As línguas indígenas, aproximadamente 7 mil de acordo com a Unesco, representam um patrimônio da humanidade e abrigam riquezas que posicionam a humanidade. No Brasil, são 170 línguas das quais 53 no Amazonas. Na Amazônia, antes do processo de colonização portuguesa existiam mais de 700 línguas que foram encaixotadas pele projeto político de língua única. 

Um ano dedicado a pensar sobre as línguas indígenas mundiais e promover ações que possam torna-las mais visíveis, impedir o desaparecimento das que existem e enfrentar o preconceito linguístico é uma determinação valiosa que se bem aproveitada poderá inaugurar um processo de reparação. Não somente reparar, mas a reparação que gera nova conduta e a partir dela um posicionamento mais amplo das pessoas, das instituições de ensino e pesquisa, dos governos e das escolas.

O Brasil é um país estratégico nessa área, concentra um grande número de línguas indígenas e tem avançado em alguns estudos. Apesar disso, está muito longe de ser uma região onde o tema tem o tratamento que merece, a maioria das pesquisas só consegue ser realizada em função de cotas de empenho e sacrifício de pesquisadores. Falta compreensão sobre a importância desse segmento e vontade política para criar incentivos a novos estudos envolvendo diferentes áreas do conhecimento. 

Por meio das línguas indígenas, os países podem construir outros mapas e ter acesso a revelações extraordinárias, reconhecerem-se e conhecerem histórias dos povos que foram ignoradas no processo de formação das nações de dos grandes grupos sociais. As conexões feitas para garantir a colonização e aquelas dos povos indígenas como forma de resistência são alguns dos campos que deveriam receber da ciência maior atenção. A Unesco, ao trabalhar este ano com foco nas línguas indígenas aciona possibilidades para a tomada de posição contra o desaparecimento dessas línguas e com elas a perda de uma porção fundamental da humanidade espécie humana.