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A Crítica
Opinião

As mulheres na luta pelo Brasil

Publicado em 26/07/2020 às 05h06 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h10
As mulheres na luta pelo Brasil

O 25 de julho apresenta ao mundo e, em especial à América Latina e Caribe, panorama importante sobre as condições de vida da mulher negra, indígena e caribenha. Todos os indicadores socioeconômicos apontam para o recrudescimento de uma realidade precarizada historicamente pelo efeito da Covid-19.

Daí a importância dos movimentos de mulheres que em julho estão em inúmeras atividades para chamar atenção sobre silêncios governamentais e institucionais que atuam pela omissão e cumplicidade no agravamento da situação. No Brasil cuja população feminina é maior que a masculina e parcela expressiva dela como chefes de família (45%, de acordo com o IBGE), o quadro atual é de vulnerabilidade ampliada pela falta de renda, desemprego e atraso nos pagamentos de subempregos.

Outros dados, fornecidos tanto pelo IBGE quanto por observatórios que monitoram a violência contra a mulher, o desemprego e suas interfaces com o feminino e as juventudes, reforçam que o clima de hostilidade instaurado no Brasil atinge diretamente as mulheres. Negras, indígenas e quilombolas – maioria da população – são as mais agredidas física e psicologicamente e as que mais morrem em consequência de ações violentas seja por companheiros, maridos, namorados (feminicídio), seja pelo tratamento violento no espaço público.

Há séculos, mulheres lutam por direitos e pelo fim do patriarcado, do sexismo. O 25 de julho se faz marco dessas lutas por inserir e ampliar visibilidades as mulheres afro-ameríndias e caribenhas na latino-américa. No Brasil, a data ganhou mais expressão em 2014 quando a ex-presidente Dilma Rousseff sancionou a lei nº 12.987 que criou o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, o ato é mais que a criação de uma data, promove espaço para tornar visível primeiro a mulher Tereza de Benguela ainda desconhecida pela maioria da população e que no Séc. XVIII empreendeu lutas por direitos e liberdade para negros e indígenas, morta por essa postura. E, na mesma data, a da mulher negra, parte de uma estatística perversa.

São algumas conquistas recentes e ainda afeitas aos ativismos das mulheres brasileiras. Perceber o significado de aprender a história das mulheres e compreender os processos que a geraram são uma necessidade para enxergar o presente. No sábado (25 de julho), mulheres negras, quilombolas e indígenas do Amazonas trouxeram à tona aprendizados, denúncias e reafirmaram a determinação de seguir lutando por uma Manaus e um Estado mais justo para as mulheres.