As outras faces da pandemia
Algumas categorias de trabalhadores tornados invisíveis têm a existência percebida a partir do aumento de casos de pessoas contaminadas pelo novo coronavirus. Dentre essas estão os trabalhadores em cemitérios desde os que administram as unidades, as chefias intermediárias, os da área de serviços gerais e os agentes funerários, os motoristas da área, os coveiros.
No cotidiano regular, esses trabalhadores e outros não são percebidos, apenas executam serviços quase sempre em clima de tensão e em meio a grupos de pessoas emocionalmente abaladas. Nesse momento, com mortes em série contaminadas pelo novo vírus e de outras de doenças variadas, faltam caixões, faltam lugares para abrigar os corpos, falta meio de transporte e vagas nos cemitérios do mundo, do Brasil e do Amazonas em Manaus.
Sobre esses trabalhadores, somente agora percebidos como importantes na cadeia de serviços, forte pressão e é ampliada a jornada de trabalho em condições precárias, possivelmente jamais experimentadas por essas pessoas. E também por aqueles que, diante da nova circunstância, viveram e ou estão vivendo ritos de despedidas de seus entes queridos e de amigos de uma outra maneira.
Se há, como apontam analistas, sinais de mudanças no comportamento da sociedade mundial a partir da experiência da pandemia da COVI-19, que nela possam ser incluídos os trabalhadores invisibilisados e que tenham tratamento mais adequado e digno no exercício de suas tarefas. Há uma interrogação sobre qual é o tipo de mudança que está sendo realizada e se o mundo modificado será melhor, mais humano que este duramente atingido por um vírus desconhecido.
Na atualidade, os atos de egoísmo se manifestam diariamente desde a aquisição de inúmeras unidades de medicamentos deixando milhares de pessoas sem acesso aos mesmos, às compras no supermercado. O mundo que será um outro mundo no pós-pandemia ainda carrega em sua cultura aquilo que parece ser inabalado pelo vírus que já matou mais de 260 mil pessoas no mundo e 7 mil no Brasil, a arrogância e desrespeito.
Há, ao mesmo tempo, descobertas positivas como os diversificados meios de promover ajuda, de conversar, de valorizar a conduta solidária. Todos os dias, em diferentes lugares do mundo, milhares de pessoas estão se conectando em atos de oração pelo fim da pandemia. É um gesto de esperança por um mundo mais justo.
Foto: Semcom