As tarefas desafiadoras do Ministro da Saúde
Como o ministro da Saúde irá tratar desse assunto? Como o atual governo irá agir para o sistema de saúde se aproximar de fato dos usuários e atender situações há muito ignoradas?
Empossado, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, tem de imediato a tarefa de curar feridas expostas pelo processo longo de destituição da então ministra Nísia Trindade da pasta, e de responder, prazo mais curto, às demandas dos usuários e dos trabalhadores do setor.
Tratar dos ferimentos causados no ato de afastamento da ex-ministra é um gesto longo que mistura uma série de atitudes a fim de compreender contextos embora a forma de tratamento dada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, tenha sido nada elegante, pelo contrário, foi crítica.
Na saúde pública, a briga é com gigantes acomodados em modelos internacionais que movimentam bilhões em recursos financeiros, têm bancadas de parlamentares de apoio e se caracterizam pela extorsão dos clientes. A privatização nessa área é um movimento antigo e conseguiu se manter ativo com a tomada de vários setores e imposição de regras de operacionalização praticamente sem margem de benefícios reais às pessoas dependentes dos planos de saúde.
Como o ministro da Saúde irá tratar desse assunto? Como o atual governo irá agir para o sistema de saúde se aproximar de fato dos usuários e atender situações há muito ignoradas? De um lado, os ataques e a fragilização ao Sistema Único de Saúde (SUS) para abrir espaço mais largo aos grupos privados e, de outro lado, o sistema privatizado da saúde brasileira que em parte utiliza recursos da estrutura pública de saúde para manter negócios rentáveis.
Usuários são submetidos a longo tempo de espera tanto na confirmação da consulta quanto no atendimento médico, nas autorizações de procedimentos cirúrgicos. Milhares de usuários têm que pagar valores altos, aceitar correções do valor do plano em porcentuais elevados ou sair desse modelo por incapacidade financeira.
Fazer com que o sistema de saúde no país funcione adequadamente envolve vontade política do governo federal em meter as mãos no formigueiro, dialogar com a sociedade, em especial com os usuários e ampliar a transparência nos atos governamentais nos três níveis (federal, estadual e municipal).
A saúde é uma das áreas de maior demanda e de produção de afetos para o bem e o mal. O local da consulta, o ambiente nele construído e o ato da consulta são etapas importantes nessa percepção do usuário que se sente, na maioria dos atendimentos, maltratado pelos agentes e estes também revelam esgotamento físico e mental.