Até que ponto a fumaça incomoda?
Até agora, o fogo continua desafiando a legislação no Estado do Amazonas. Há dificuldade tanto de pessoal quanto de equipamento para assegurar maior vigilância e operacionalidade no combate aos focos de queimada
O último final de semana demonstrou aos moradores de Manaus o tamanho do problema representado pela fumaça. Foram muitas as reclamações e os relatos de adoecimentos por parte de pessoas de diferentes idades.
A cidade ficou insuportável e mesmo a chuva mais forte não conseguiu diminuir o impacto da fumaça cuja origem estaria no incêndio ocorrido em área da feira de Iranduba, município da Região Metropolitana de Manaus.
Os dias anteriores já estavam provocando mal-estar em decorrência da temperatura elevada, muito calor e sinais de focos de fogo. Crianças, idosos e pessoas com viroses tiveram agravamento de doenças e muitas foram buscar socorro médico diante de dificuldades para respirar e de dores acentuadas no corpo e na cabeça, de acordo com relatos de familiares.
Até agora, o fogo continua desafiando a legislação no Estado do Amazonas. Há dificuldade tanto de pessoal quanto de equipamento para assegurar maior vigilância e operacionalidade no combate aos focos de queimada. Ao mesmo tempo, prevalece a postura de uma parcela expressiva do empresariado de insistir no uso do fogo como meio de limpar terrenos e prepara-lo a outras atividades.
Nos dez primeiros dias de agosto, o Amazonas registrou focos de queimada que superaram em aproximadamente 180% os registros em igual período do ano passado.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) identificou cerca de 3 mil focos de fogo entre primeiro a dez de agosto. Os municípios de Apuí e Lábrea, no sul do Estado, aparecem, no monitoramento do INPE, como os que mais utilizaram desse meio.
O Amazonas está com 22 dos 62 municípios sob emergência climática em decorrência da estiagem. O fogo torna-se mais uma ameaça a vida de pessoas, da flora e da fauna. Apesar da situação grave, o que se constata é a manutenção de uma conduta que ignora a legislação e afronta a vida de humanos e dos não humanos.
Enquanto o ritmo for esse, a sociedade irá sofrer com o conjunto dos efeitos provocados, a mudança climática e a vigência de um tipo de pacto que aceita, como cultural, a manutenção das queimadas.
Falta reforço qualificado à fiscalização e um programa ampliado para envolver os mais diferentes setores da sociedade em um atitude de defesa da Natureza diante da saga pela destruição que ora se verifica.