Atenção com o nosso patrimônio histórico
Gravuras que podem ter mais de dois mil anos surgiram em pedras e rochas antes submersos. O valor histórico desses vestígios é imensurável
A seca história dos rios do Amazonas trouxe uma série de problemas aos ribeirinhos, que sofrem com isolamento e carência até mesmo de produtos básicos. Mas também revelou vestígios nunca vistos de nossa história. Gravuras que podem ter mais de dois mil anos surgiram em pedras e rochas antes submersos. O valor histórico desses vestígios é imensurável. Eles ainda precisam ser devidamente documentados para posterior investigação arqueológica, principalmente levando em conta que, em alguns meses, os locais estarão novamente tomados pelo rio. Não é à toa que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) montou um Plano de Ação para proteger os artefatos e catalogá-los adequadamente.
É uma pena que algumas pessoas, sem a devida noção do valor inerente aos achados, representem ameaça real ao patrimônio recém-descoberto. Daí a necessidade de uma ação envolvendo a guarda civil, além de policiais do grupamento ambiental e agentes federais, para resguardar a integridade dos locais. Ainda há muito a ser pesquisado a respeito da Amazônia antes da chegada dos europeus. As pinturas rupestres e desenhos nas rochas, revelados recentemente por conta da estiagem, são importante fonte de estudos a esse respeito, merecendo todo cuidado visando sua preservação.
Por outro lado, áreas com enorme potencial para pesquisas arqueológicas estão espalhadas por toda a Amazônia com pouca ou nenhuma atenção, seja do poder público ou da iniciativa privada. No município de Maués, por exemplo, a presença de artefatos antigos de origem indígena é tão frequente que algumas comunidades de ribeirinhos tomaram a iniciativa de guardá-los em museus improvisados e mantidos pelos próprios comunitários, diante da omissão dos órgãos oficiais. É assim na comunidade de Vera Cruz, em Maués, e em algumas outras na Amazônia.
Mas, em muitos outros locais, os artefatos são tratados sem o menor cuidado, perdendo-se para sempre. São resquícios concretos que podem ajudar a esclarecer como viviam nossos antepassados há muitos séculos e lançar luz sobre nossa própria história, mas estão desaparecendo aos poucos. É evidente que o poder público e a sociedade em geral precisam ter mais atenção e cuidado com nossos sítios arqueológicos e nosso patrimônio histórico.