Manaus sáb, 24 out
A Crítica
Opinião

Aterro sanitário em Iranduba preocupa

Publicado em 15/02/2022 às 11h08 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h02
Aterro sanitário em Iranduba preocupa

A caminho da exaustão, o aterro sanitário de Manaus é, hoje, um problema ampliado. Acumula, na capital, uma série de riscos e algumas inadequações que tendem a ser arrastadas para o município de Iranduba, um dos que integram a Região Metropolitana de Manaus.

Comunidades estão em mobilização para tentar impedir a implantação do aterro ambiental em Área de Preservação Ambiental no entorno de Paricatuba-Cacau Pireira. O que está sendo colocado, grosso modo, é uma proposta que transfere a questão delicada para outro lugar e distancia a tomada de posição sobre um tema dos mais problemáticos nas cidades brasileiras, notadamente nas capitais.

O Iranduba padece com as sequelas deixadas por um tipo de fábrica de produção de tijolos que produziram buracos profundos na vida dos moradores da região. O aterro sanitário (o local que irá receber o lixo produzido em Manaus) ameaça uma APA em torno da qual esforços comunitários vêm sendo realizados há anos na perspectiva de assegurar naquela região parâmetros de ecosustentabilidade.

O cabo de guerra entre instituições governamentais, organizações empresarias e coletivos comunitários demonstra que o diálogo não se completou e deixa escancarada a base frágil em que o projeto foi desenvolvido, menos pelas promessas de seguir e de respeitar os mecanismos legais exigidos para a construção de aterros sanitários. O que mais vem sendo realçados são a desconfiança e o temor que a obra provoca.

De modo repetitivo, o poder público do Amazonas e, em particular, de Manaus, não tem demonstrado vontade política em fazer a coisa bem-feita, inovar utilizando tecnologias disponíveis e se tornar referência positiva nesse campo. Projetos que tratam de aterros sanitários em Manaus levam a marca de acordos político-econômicos que atendem principalmente a interesses de grupos e se revelam distantes da sociedade que deve ser, sempre, parte fundamental no processo decisório.

O movimento contra o aterro ambiental em Iranduba não é mera implicância de coletivos comunitários. Alerta, ao denunciar e rejeitar a obra, sobre riscos que poderão afetar a população e a biodiversidade do município expandindo e aprofundando consequências prejudiciais às pessoas e à ecologia. Esse grito precisa ser observado, escutado para, a partir de ações resultantes dessa modalidade de audiência, sejam construídas outras possibilidades.