Manaus dom, 25 out
A Crítica
Opinião

Atuação da PM nas mortes violentas e falta de respostas

Os protestos dos ambulantes e familiares pelo assassinato de Nobaye que pediam justiça geraram outros confrontos com a PM.

Publicado em 15/04/2025 às 09h16
Atuação da PM nas mortes violentas e falta de respostas
Foto: Reprodução

A morte de Ngange Nobaye,34, natural do Senegal, no bairro do Brás, São Paulo, no dia 11, durante operação da Polícia Militar, é mais um capítulo da relação PM x sociedade
brasileira. Os protestos dos ambulantes e familiares pelo assassinato de Nobaye que 
pediam justiça geraram outros confrontos com a PM.

No final do ano de 2024, o Observatório Nacional dos Direitos Humanos (ObservaDH),
vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, publicou dados sobre direitos humanos e segurança pública onde se observa números que precisam ser analisados e a eles oferecer respostas de enfrentamento.

A cada sete mortes violentas no Brasil, uma foi ocasionada por intervenção policial em 2023. Foram mortas por dia 17 pessoas em ações de agentes de segurança pública, destas oito em cada dez vítimas eram negras, e sete em cada dez eram adolescentes ou jovens. Nesse ano foram registradas 6.382 mil mortes. O Observatório coloca a gravidade dessas ocorrências nos seguintes estados: Amapá, Sergipe e Goiás, onde uma em cada três mortes violentas foi ocasionada por intervenção policial.

As mortes violentas incluem aquelas ocasionadas por intervenção policial e por crimes violentos (soma dos feminicídios, homicídios dolosos, lesões corporais seguidas de morte e latrocínios) registradas no Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp).

O Amapá, detentor do que o documento cita como “as piores taxas” em relação ao número de habitantes, considerando os óbitos por crimes violentos (45,8 por 100 mil habitantes) e as mortes por intervenção policial (25,3 por 100 mil habitantes). Bahia e Sergipe vêm na sequência com as polícias mais letais, com 12 e 10,4 mortes por 100 mil habitantes, respectivamente. Por parte dos agentes de segurança pública,o quadro também pede atenção: uma morte a cada dois dias e um óbito por suicídio a cada três dias no ano de 2023. Os dados do Observatório mostram a ocorrência de 188 óbitos. Mais da metade das mortes ocorreu em apenas três estados: Rio de Janeiro (27,1%), Pará (15,4%) e São Paulo (14,9%).

O cenário é de batalha nas cidades. Falta intervenção adequada, inteligente e ágil para
mudar a ordem das coisas. A matança de civis por ação policial e, no recorte, de pessoas negras, de jovens e adolescentes; e de agentes de segurança nessas ações pede ação dos governos e dos outros poderes para o Brasil enfrentar a questão com responsabilidade