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A Crítica
Opinião

Aumentar imposto não é solução

Com a alta do imposto, empreender também se torna mais oneroso, principalmente para quem precisa buscar capital no mercado financeiro.

Publicado em 06/06/2025 às 09h34
Aumentar imposto não é solução
Foto: Agência Brasil

As contas públicas do Brasil não vão nada bem. Apesar do superávit de R$ 14 bilhões em abril, a Instituição Fiscal Independente (IFI) prevê um rombo de R$ 64,2 bilhões neste ano, e de R$ 128 bilhões em 2026. Há o sério risco de a dívida pública atingir quase 80% do PIB em 2025, à beira do abismo. Vendo a tragédia que se aproxima, o governo tenta reequilibrar a arrecadação.

O aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) é a iniciativa mais recente, mas que vem gerando grande repercussão negativa, principalmente, porque transfere para a população o buraco orçamentário.

O IOF incide sobre diversas operações como empréstimos e financiamentos, compra de moeda estrangeira, seguros, e certos investimentos, entre outros. Na prática, parcelar compras no cartão de crédito, financiar um veículo ou imóvel, tomar um empréstimo, já estão mais caros. Como a tributação também incide sobre o câmbio, a medida também impacta sobre o turismo. Especialistas ainda avaliam o reflexo sobre a economia como um todo, mas é certo que a alta no IOF tem grande potencial para frear ainda mais a atividade econômica, justamente no momento que o País precisa retomar o crescimento.

Com a alta do imposto, empreender também se torna mais oneroso, principalmente para quem precisa buscar capital no mercado financeiro. Especialistas avaliam que a medida do governo pode, inclusive, ter um efeito contrário, freando a arrecadação, pois desestimula investimentos. É evidente que o governo não pode ficar inerte diante da situação das contas públicas, mas é necessário debater, de maneira técnica e criteriosa, alternativas à alta do IOF, ou maneiras de tornar a medida menos danosa.

Não existe fórmula mágica, o País precisa buscar soluções equilibradas o mais rápido possível. Porém, o arcabouço fiscal – proposto em 2023 para substituir o antigo teto de gastos – mostra-se ineficaz para conter a alta da dívida pública, que não para de crescer. Nesse cenário, aumentar impostos não terá outro efeito senão onerar ainda mais as finanças dos brasileiros. Talvez a solução passe por repensar o arcabouço fiscal, e buscar medidas factíveis e eficazes.