Auxílio perto do fim
O início de outubro acendeu uma preocupação nos brasileiros que recebem o auxílio emergencial do governo. Os pagamentos de novembro e dezembro serão os últimos, o que levanta questões importantes tanto para os trabalhadores beneficiados como para o governo federal. Por um lado, os beneficiados terão que se virar sem o dinheiro extra. Por outro, o Planalto terá que encontrar outras formas de cativar a simpatia dos brasileiros mais pobres em um cenário de desemprego, inflação e recessão em alta.
O caráter temporário do benefício está expresso em sua nomenclatura. É um benefício “emergencial”, portanto, excepcional e com data certa para terminar. A medida, adotada em vários países, garantiu, no Brasil, que mais de 65 milhões de pessoas tivessem uma renda mínima durante a pandemia do novo coronavírus.
O programa de transferência de renda acabou se revestindo de importância estratégica para o governo federal, uma vez que tem assegurado bons índices de aprovação popular, recuperando a perda de apoio observada nos primeiros meses da pandemia, muito em função do comportamento errático do presidente. Não é à toa que o governo busca de todas as formas “manter a pegada”, com a criação de um programa perene de distribuição de renda, inicialmente com o Renda Brasil, agora com o Renda Cidadã, iniciativa que mira as eleições de 2022. Para o cidadão que utiliza o benefício, a renda extra garante melhoria de qualidade de vida, elevação no nível de consumo e segurança financeira mínima.
Com a proximidade do fim dos repasses, é preciso fazer algo que muitos brasileiros desconhecem – planejamento financeiro. A hora é de rever despesas, estudar alternativas de renda, procurar emprego e talvez até empreender… O importante é enfrentar o fato de que o fim do auxílio está próximo e em breve será necessário tocar a vida sem ele.
Uma atitude inteligente é aproveitar o benefício para melhorar a própria qualificação profissional, aumentando as chances de recolocação no mercado. É fato que o fim do auxílio terá como reflexo imediato o aumento do índice de desemprego, já que um enorme contingente de pessoas ficará sem nenhuma renda e terá que sair à procura de emprego, um dado preocupante, pois a taxa de desocupação no País já se aproxima de 14%, atingindo mais de 13 milhões de pessoas.