Basta de violência obstétrica
A violência é sempre condenável em qualquer de suas formas, e se torna ainda mais repugnante quando atinge alguém em situação tão vulnerável como a de uma mulher em trabalho de parto. O Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam) precisa agir de maneira firme e apurar com rigor e justiça a conduta do profissional envolvido no caso lamentável de violência contra uma parturiente na Maternidade Balbina Mestrinho, fato ocorrido em 2018 e que só agora veio à tona. Ressalte-se que o médico em questão já tem histórico de más condutas no currículo.
A punição nunca veio e ele continuou à vontade para agir da forma que quisesse, demonstrando nenhum respeito pela ética médica. Os médicos são profissionais com papel social fundamental e merecem todo respeito e consideração. Como em qualquer área, há profissionais que por quaisquer motivos, inclusive falta de preparo e até mesmo de ética, cometem atos de violência como esse o que aconteceu em nossa cidade. As imagens da agressão chocam e causam indignação. A Susam pediu o afastamento do médico e instaurou um procedimento administrativo, o Cremam atua sobre o caso em sigilo.
O triste caso ocorrido em Manaus fortalece o movimento que avança no País disseminando a humanização do parto. Não se trata de inventar uma nova forma de dar à luz, basta assegurar que a mulher tenha o atendimento digno e respeitoso que merece. Obstetras devem acompanhar a fisiologia natural do parto, atuando nos casos de anormalidades para assegurar a segurança da mãe e do bebê. A postura do médico e de seus auxiliares faz toda a diferença na experiência da mulher no momento do parto. Não é algo muito difícil de se alcançar. Treinar equipes para agir “humanamente” – com cordialidade e preservando a capacidade de se colocar no lugar do outro – não requer grandes investimentos. Basta um treinamento básico para, talvez, despertar em alguns profissionais o “humano” que há dentro deles.
O caso da Maternidade Balbina Mestrinho, infelizmente, não é isolado. Há poucos dias, na mesma instituição, mãe e bebê morreram em caso que ainda vem sendo apurado. Algo está muito errado. As maternidades precisam ser lugares de alegria, não de medo, violência e tristeza. Não se pode esperar mais casos tristes para tomar providências concretas.