BR-319 na campanha
Como em todo ano eleitoral, o roteiro envolvendo a rodovia BR-319 volta a se repetir. Só a proximidade da eleição e o interesse renovado em fortalecer capital eleitoral justifica a mobilização montada para a assinatura da ordem de serviço para obras de manutenção da estrada. Não é nada relacionado à reconstrução da rodovia, que é o que as lideranças empresariais do Amazonas realmente esperam há muito tempo. Trata-se apenas da formalização de um procedimento que deveria ser praxe: nenhuma rodovia – federal ou não – pode ficar sem manutenção; muito menos uma via estratégica como essa que liga o Amazonas ao Brasil. Aliás, foi a ausência de manutenção periódica que deixou a 319 no estado deplorável em que se encontra.
Esse episódio apenas reforça o papel que a rodovia sempre desempenhou como bandeira de campanha. Está muito claro que o principal entrave à plena trafegabilidade da BR-319 não são as questões ambientais ou burocráticas, mas a simples ausência de interesse político em realizar a obra, por motivos que, talvez um dia, venham a ser explicados. A diferença é que, desta vez, há alguma esperança. Existe uma licitação para reconstrução do chamado “trecho do meio”, o mais problemático da rodovia. Além disso, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) já está avaliando o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) desde agosto. E a expectativa é que a licença ambiental para execução da obra seja finalmente concedida.
Então é possível crer que, em alguns anos, a BR-319 deixe de figurar como bandeira de campanha para se converter numa rodovia plenamente trafegável. Para Roraima, significaria a integração por estrada com o restando do País; para o Amazonas, mais do que isso, seria um importante fator na competitividade da Zona Franca de Manaus; enquanto Rondônia poderia contar com um caminho mais curto para o Atlântico.
Enquanto isso não acontece, a assinatura de um contrato de manutenção se transforma em um circo midiático, caravanas de parlamentares percorrem os atoleiros da via para constatar o óbvio, e o compromisso com a recuperação da estrada é item obrigatório no discurso de qualquer político que se preze.