Busca pela igualdade
A caminho a percorrer até que a sociedade veja o indígena como parte dela, igualmente detentor de direitos e deveres, é gigantesco
Mesmo tendo fortes influências indígenas na língua, na cultura e na própria formação de seu povo, o Brasil, de modo geral, ainda manifesta, de diversas formas, uma relação de estranhamento e até de rejeição em relação aos povos indígenas remanescentes. São traços que permeiam vários aspectos da sociedade e se refletem, por exemplo, em situações como atrasos injustificados na demarcação de terras indígenas, no descaso com as invasões de garimpeiros clandestinos e no puro e simples preconceito. Aos poucos se busca, ainda que com pequenos passos, mudar esse cenário.
Ontem, o Supremo Tribunal Federal destravou o processo de demarcação da Terra Indígena Tekoha Guasu Guavira, no Paraná, que estava paralisado desde 2020 devido à flagrante intenção governamental em não dar andamento à demarcação. É óbvio que não se trata apenas de demarcar ou não demarcar, é preciso pacificar regiões como aquela, onde conflitos armados são frequentes, vitimando principalmente as comunidades indígenas, que resistem em se retirar da terra que consideram sua por pleno direito.
Situações como esta se repetem por todo o País, especialmente no Norte, onde está a maior população indígena do Brasil, impondo à Nação um de seus maiores desafios: promover o desenvolvimento, respeitando e integrando os indígenas no processo, e superando as relações conflituosas.
É quase uma utopia, mas não é impossível. Tal objetivo pode ser alcançado no longo prazo, com iniciativas governamentais de amplo espectro, em conjunto com pequenas ações estruturantes. São projetos como o da Fundação Estadual dos Povos Indígenas do Amazonas (Fepiam) e do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), que realizarão a primeira pesquisa de campo para identificar as necessidades e interesses específicos de cursos de qualificação e cursos técnicos para as comunidades indígenas do Estado. A pesquisa tem como diferencial priorizar as necessidades dos indígenas, que serão apontadas por eles mesmos. O plano de ação será construído a partir das informações coletadas junto às próprias comunidades.
A caminho a percorrer até que a sociedade veja o indígena como parte dela, igualmente detentor de direitos e deveres, é gigantesco. Por isso mesmo é preciso caminhar, ainda que lentamente.