Cada um por si e todos contra todos
Com o recuo recente dos números relativos a óbitos causados pela covid-19, a população de Manaus parece ter abandonado completamente o distanciamento social. Os velhos engarrafamentos voltaram com tudo e as aglomerações estão por toda parte. Manaus respira aliviada com a aparente superação da pandemia, mas especialistas continuam alertando que ainda é cedo para cantar vitória; o retorno repentino de tantas aglomerações pode resultar em uma segunda onda de infecções, fenômeno que ocorreu em alguns países que fizeram uma reabertura muito brusca, levando-os a retroceder e repensar o plano de retomada.
Importante ressaltar que, mesmo quando a pandemia passar, o vírus continuará circulando, representando perigo constante, principalmente para as pessoas que integram os grupos de risco.
O arrefecimento da pandemia revela um certo individualismo. As pessoas se convencem que, se não ficaram doentes até agora, é porque não ficarão mais, ou talvez já tenham desenvolvido imunidade. Se não há perigo para si, não veem problema em ser um perigo para o outro. As máscaras passam a ser usadas apenas para cumprir tabela e as preocupações com distanciamento parecem ter desaparecido. A pandemia deveria ser a hora de exercitar a empatia, de perceber que, para se proteger, é preciso proteger o outro também. Mas bastou uma redução na sensação de perigo para que a lei do “cada um por si e todos contra todos” voltasse a imperar.
No pós-pandemia, não veremos excesso de óbitos, hospitais lotados e UTIs no limite, mas as pessoas continuarão pegando covid-19 com risco de morte. Até que uma vacina ou um medicamento sejam testados e tenham eficácia comprovada, o novo coronavírus continuará sendo uma ameaça letal. Enquanto a vacina não chega, a volta ao “normal” precisa ser acompanhada de um esforço para manutenção das medidas protetivas, observando o distanciamento social, o uso de máscaras, evitando aglomerações desnecessárias e mantendo a higienização frequente das mãos.
A população precisa ser conscientizada sobre a importância dessas atitudes e compreender que, pelo menos por enquanto, elas devem continuar fazendo parte do nosso dia a dia.
Foto: Euzivaldo Queiroz