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A Crítica
Opinião

Campanha de vacinação e os profissionais de saúde

A espera pela vacina demora e a pressão sobre os funcionários é enorme, por vezes com atos de agressividade

Publicado em 07/07/2022 às 08h42
Campanha de vacinação e os profissionais de saúde
Foto: Divulgação SEMSA

As unidades de saúde destinadas à campanha de vacinação estão, na maioria desses espaços, lotadas. A espera pela vacina demora e a pressão sobre os funcionários é enorme, por vezes com atos de agressividade. As salas de atendimento têm uma característica em alguns desses lugares, são muito pequenas, o que submete as duplas ou trios de atendimento ao público e os usuários a lidar com uma série de desgastes e atropelos até a consumação da vacinação.

É necessário que os secretários de saúde tanto do Estado quando do Município de Manaus possam visitar esses espaços e verificar, pessoalmente, as condições de trabalho dos profissionais e o tamanho da pressão feita sobre as equipes. Há situações em que as doses das vacinas destinadas às unidades acabam e o público, ao ser informado que precisa aguarda o reabastecimento, descarrega nesses servidores as reações de mal-estar e de revolta.

Mantido o quadro de alta procura, indicadores possíveis de serem acessados, os governos estadual e municipal por meio das secretarias que têm a responsabilidade de realizar as políticas de saúde pública não podem ignorar a realidade e já deveriam ter iniciado ações que desafoguem os postos de vacinação com maior procura e criem meios de garantir, em tempo mais curto, a reposição das doses. O difícil é duas ou três profissionais lidarem sozinhos com as diversas demandas e atmosfera de desentendimento existente em salas apertadas.

As sequelas a que estão sendo submetidas as equipes de ponta da saúde nessa quarta onda da Covid-19 não podem ser minimizadas e ignoradas como se fossem rotinas normais de trabalho. Não há normalidade nesse modelo de operação que se assemelha, por vezes, a uma emergência. Decisões responsáveis por parte dos que respondem pela administração na saúde podem oferecer campanha de vacinação contra a Covid-19 e as gripes com maior alcance do público e melhor base de trabalho aos agentes, humanizando, de fato, aquilo que aparece bonito na peça publicitária enquanto a realidade, nesse período, é conflituosa.

Os governos cumprem positivamente a tarefa de convocar a população à tomada das vacinas, em ampliar postos de atendimento. Falta perceber e agir a fim de realizar a ação em clima menos conturbado. Parcela dos profissionais da saúde que está atuando no reforço da campanha é a mesma que enfrentou as fases mais agudas da epidemia da Covid-19, multiplicando-se e sem tempo para também ser tratada.