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A Crítica
Opinião

Carta das florestas

Publicado em 03/11/2021 às 10h38 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h12
Carta das florestas

O mundo pode ter expectativas positivas se os compromissos assumidos por diversos países, incluindo o Brasil, durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP26), forem mesmo levadas a sério. A assinatura da Declaração de Florestas representa um passo significativo. Cabe ressaltar que o documento, assinado por 125 nações, prevê a injeção de US$ 12 bilhões de fundos públicos até 2025 para financiar a proteção florestal no mundo.

Uma das consequências, no caso do Brasil, deve ser o incentivo à produção agrícola livre de desmatamento. Seria uma reviravolta e tanto na política agrícola do País, uma vez que a expansão da área plantada, com pressões sobre a Amazônia, tem sido uma das tônicas do governo federal desde o primeiro dia de gestão. O governo dá sinais de que compreendeu a necessidade de mudança de paradigma, sob pena de perder mercado para produtos agrícolas devido à associação com desmatamento. 

Se haverá, como deve haver, um esforço para manter a floresta em pé, é necessário que haja um amplo programa, muito bem estruturado, para aplicação dos recursos internacionais. O Brasil, como detentor da maior parte da principal floresta tropical do mundo, terá um papel fundamental a desempenhar nos próximos anos. E algumas alternativas de sucesso desenvolvidas no Amazonas podem ser de grande valia. Os modelos de desenvolvimento sustentável implementados na reserva de Mamirauá, por exemplo, são inequívoca demonstração de como é possível gerar renda para os moradores do interior, mantendo seu modo de vida e, principalmente, sem degradar o meio ambiente. 

Outra iniciativa que precisa ser melhor discutida, podendo ser ampliada, é o Programa Bolsa Floresta, que garante renda mínima aos povos do interior, que recebem um tipo de compensação ambiental para manter a floresta preservada. 

Além disso, há também o eterno potencial turístico subaproveitado na região. Muito do que foi feito até agora nessa área é mérito exclusivo da iniciativa privada, com pouca ou nenhuma coordenação em nível federal. O turismo na Amazônia está completamente dissociado de uma estratégia federal de desenvolvimento. Isso precisa mudar, ou a Declaração de Florestas será apenas mais uma carta de intenções.