Manaus dom, 18 out
A Crítica
Opinião

Cenário econômico delicado

Publicado em 12/09/2019 às 11h34 · Atualizado em 13/03/2022 às 21h58
Cenário econômico delicado

A economia brasileira continua caminhando a passos de tartaruga, com pequenos avanços seguidos de recuos, de modo que ainda é praticamente impossível para os especialistas prever uma retomada consistente. E no Amazonas, a situação é ainda mais grave. Com a economia estadual atrelada à Zona Franca de Manaus (ZFM), que tem na indústria eletroeletrônica e nos veículos de duas rodas seus principais expoentes, o crescimento está diretamente relacionado ao desempenho industrial.

Infelizmente, os números não revelam um cenário animador: o Estado apresentou queda acentuada de 6,2% na produção industrial em Julho. Segmentos importantes vêm cambaleando, como os de máquinas, equipamentos e materiais elétricos (-0,7%); produtos de metal (-14,3%) e bebidas (-24,8%).

O reflexo do esfriamento industrial se espalha por toda a economia do Estado. Não é à toa que as vendas do comércio varejista no mês de julho, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cresceu 1% na média do País, mas recuou -1,9% no Amazonas.

Apesar de desanimadores, os dados devem servir de motivação para defender o modelo econômico amazonense. Assumir uma postura em favor da Zona Franca, a despeito das manifestações públicas do ministro da Economia, Paulo Guedes, não significa ser contra outras alternativas de desenvolvimento para a região – como o ecoturismo, a piscicultura e a fruticultura -, significa apenas admitir que precisamos da indústria forte até que esses segmentos se desenvolvam a ponto de ter peso predominante no PIB regional, o que pode levar algumas décadas.

Até lá, a Zona Franca precisa sobreviver, caso contrário, mesmo que a economia do País volte a caminhar a passos largos, o Amazonas continuará em marcha ré. Um passo importante é reverter, ou pelo menos amenizar, o corte no orçamento da Suframa previsto para o próximo ano, que traz uma redução superior a 70% em relação ao orçamento da autarquia neste ano. Uma das missões da Suframa é ser indutora do desenvolvimento regional sustentável, mas como fazer isso sem dinheiro? Sabe-se que a situação fiscal do País é extremamente delicada, o que torna os cortes necessários, mas é preciso adotar critérios específicos para não inviabilizar instituições estratégicas.