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A Crítica
Opinião

Cesta de Natal cada vez mais restritiva

De acordo com levantamentos divulgados pela mídia, os preços dos produtos tradicionais do jantar e almoço natalinos subiram muito e deixam a maioria dos brasileiros sem condições de adquiri-los

Publicado em 22/12/2022 às 09h39
Cesta de Natal cada vez mais restritiva
Foto: Reprodução

A Ceia de Natal para as famílias que poderão ter acesso a esse ritual desafia o limite da renda familiar. De acordo com levantamentos divulgados pela mídia, os preços dos produtos tradicionais do jantar e almoço natalinos subiram muito e deixam a maioria dos brasileiros sem condições de adquiri-los.

Reinventar a ceia aparece como saída diante da inflação da cesta de Natal. Um recurso que demonstra disposição principalmente de mulheres chefes de família em fazer acontecer na noite natalina o ato da alimentação em reunião familiar e também poderá vir a ser, mais uma vez, mecanismo de posicionamento diante do desenfreado processo de reajuste de preços dos alimentos e de outros produtos.

No passado, no Brasil e em outros países, a ação de consumidores, tendo a frente comitês de donas de casa, provocou tensões importantes ao adotarem boicote a alimentos com preços considerados elevados. Sem a venda em larga escala, produtores, atacadistas e a representação dos supermercados baixavam os preços, ampliaram promoções a fim de evitar prejuízos e perdas maiores.

O que ocorre, desde 2020, é o reajuste nos preços dos alimentos e de serviços básicos ao mesmo tempo em que trabalhadores não tiveram aumento real nos salários, sofrem o impacto da perda de poder aquisitivo, da perda de postos de trabalho. A classe média se endividou e os mais pobres passaram a ser parte da massa de pessoas que não consegue ter acesso a três refeições diárias e, por vezes, nem a duas.

Nos supermercados, principais centro de compras de alimentos, a busca por preços mais acessíveis de alimentos é árdua e muitos acabam adquirindo produtos em promoção porque estão com data de validade de dois a quatro dias. É necessário que os órgãos de defesa do consumidor se movimentem e acompanhem essa dança, para cima, dos preços, da qualidade e do tempo útil do produto.

Os consumidores, principalmente os mais atingidos pela perda dos salários, precisam ser percebidos em seus direitos e defendidos de práticas de extorsão. A obtenção de lucro, parte da normalidade capitalista, não pode ser a vontade maior a prevalecer nesse tipo de atividade, mas quando se confere os preços é exatamente o que está acontecendo e o resultado é vetar o acesso das pessoas aos alimentos.