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A Crítica
Opinião

Cidades sob ataques, o problema é de todos

Os ataques em municípios do Rio Grande do Norte repetem cenas vivenciadas em outras cidades brasileiras e expõem uma situação nacional grave relacionada a novos contextos da insegurança pública no Brasil

Publicado em 23/03/2023 às 08h27
Cidades sob ataques, o problema é de todos
Foto: Reprodução

Os ataques em municípios do Rio Grande do Norte repetem cenas vivenciadas em outras cidades brasileiras e expõem uma situação nacional grave relacionada a novos contextos da insegurança pública no Brasil.

Nenhum dos 5.568 municípios brasileiros está livre desses ataques e mais de uma centena deles, em diferentes estados, já passaram por essa experiência.

O modelo vigente de segurança pública não consegue, há muito tempo, oferecer respostas positivas na maioria dos itens que compõem o sistema de segurança pública, ao contrário, precarizado, facilita a instalação de grupos criminosos e deixa em abertos as áreas de atuação.

São os grupos de narcotraficantes, em muitas cidades e comunidades, os que estabelecem os códigos de ir e vir. Recrutam jovens e adolescentes para seus negócios e também para ingressarem nos batalhões formados para atacar as cidades.

Os líderes recorrem a esses nativos na busca de informações mais particulares que escapam da rede virtual e na formação da frente responsáveis pelos atos criminosos.

Se é consenso de que a sociedade mundial vive avanço espetacular das tecnologias de informação e de comunicação é necessário reconhecer que o potencial tecnológico não está sendo utilizado de forma inteligente para estabelecer padrões de segurança nas cidades do País.

A desorganização da estrutura de governança é um dos indicadores fortes nessa área. A noção de governança como instrumento de direção da economia e da sociedade visando objetivos coletivos é massacrada por posturas político-partidárias, religiosas, empresariais e da degradação dos entes do poder constituído.

As cidades, a expressão concreta do morar, trabalhar, estudar, do viver, são os espaços de exemplificação dos acontecimentos. É perverso constatar que parlamentares, membros do Congresso Nacional, utilizam a série de ataques às populações riograndenses, o sofrimento e o terror porque passam, como ingrediente para agiuçar disputas partidárias e eleitorais.

Mantêm o nível rasteiro, por não terem alcançado o tamanho do problema que a sociedade brasileira vive ou por má conduta, egoísmo e mesquinharia.

O Congresso Nacional, como a “casa do povo”, deveria, conjuntamente, estudar e apresentar propostas que, acima de seus interesses mais particulares e imediatos, se revelem em contribuições ao enfrentamento a esses grupos e na construção e consolidação de políticas estratégicas, criativas e tecnicamente realizáveis no plano de segurança pública das cidades. São elas que formam o Brasil. O próprio Congresso sofreu ataques criminosos, sentiu em parte o efeito devastador dessas ações.