Ciência apresenta primeira vacina nacional
Trata-se de um momento histórico, por ser uma possibilidade real em nível global de gradativamente acabar com a dengue no país
A vacina contra a dengue é realidade. E poderá ser incluída já em 2026 na lista de imunizantes disponíveis aos brasileiros. Foram nove anos de pesquisa para, na quarta-feira (26), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) assinar com o Instituto Butantan o Termo de Compromisso para estudos e monitoramento da vacina.
Trata-se de um momento histórico, por ser uma possibilidade real em nível global de gradativamente acabar com a dengue no país, e se constituir no primeiro imunizante contra essa doença produzida por laboratório nacional.
Os casos de dengue no Brasil preocupam. Este ano, até novembro, foram registrados 1 milhão de casos de dengue com 681 mortes, até abril. São Paulo é onde há maior ocorrência da doença. Do total de óbitos, 488 ocorreram nesse estado. No ano de 2024, a doença alcançou 6,5 milhões de indivíduos.
A Anvisa informa que a nova vacina será tetravalente, o que significa garantia de proteção contra os quatro sorotipos da dengue em dose única. A tecnologia utilizada pelo novo imunizante é a de vírus vivo atenuado, que de acordo com os cientistas é segura e já utilizada em diversas outras vacinas em uso no Brasil e no mundo.
A indicação aprovada de aplicação da vacina é para pessoas na faixa etária de 12 a 59 anos de idade, perfil que pode ser ampliado no futuro, dependendo de novos estudos apresentados pelo fabricante. A análise da Anvisa concluiu que o benefício-risco da Butantan-DV é favorável, especialmente no cenário do Brasil, onde a dengue representa um desafio para a saúde pública e com poucas alternativas terapêuticas.
O estudo clínico da vacina contou com 16 mil participantes e as reações adversas identificadas foram geralmente leves a moderadas, como cefaleia (dor de cabeça), exantema (erupções na pele) e fadiga. Os eventos graves identificados no estudo foram raros e incluem situações já conhecidas e documentadas no uso de vacinas, informa a assessoria de comunicação da Anvisa.
Quanto ao critério de proteção, a Anvisa apresenta os seguintes resultados no uso da vacina: eficácia global de 74,7% contra dengue sintomática na população de 12 a 59 anos. O indicador mostra que, em 74% dos casos, a doença foi evitada por conta da vacina. O índice foi semelhante entre as pessoas que já tiveram dengue (soropositivas) e aquelas que nunca tiveram contato com o vírus (soronegativas). O estudo clínico também indicou que as formas graves da doença foram raras, com tendência de proteção sem necessidade de hospitalização.