Ciência pode indicar caminhos para superar desigualdades sociais na Amazônia
Diversos e numerosos fatores contribuíram ao longo de séculos para o atual cenário de desigualdades sociais no Brasil. A falta de saneamento básico em extensas regiões, o déficit habitacional favorecendo a favelização, e a grande concentração de renda são apenas alguns exemplos desse cenário de desigualdade que perdura no País desde suas origens há mais de 500 anos. Longe de ser uma agenda de esquerda ou de direita, o combate às desigualdades é um problema que a sociedade brasileira precisa enfrentar com seriedade.
O Estado do Amazonas é um caso especial, já que mais de 70% do Produto Interno Bruto está concentrado na capital – cosmopolita, dona do 7º maior PIB entre as capitais brasileiras. No interior, por outro lado, muitos municípios padecem com comunidades vivendo na mais absoluta pobreza.
A ciência pode indicar alguns caminhos para superar esse panorama, permitindo que comunidades amazônicas consigam transformar recursos naturais em riqueza, convertida em melhores condições de vida para todos. Esse é o objetivo da 15ª edição da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), que começa hoje no Bosque da Ciência. O tema do evento deste ano é “Ciência para a Redução das Desigualdades”, onde especialistas de várias instituições vão debater sobre o potencial de transformação social por meio da pesquisa científica.
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação vai promover as intervenções, palestras, exposições e oficinas na capital e em mais seis municípios: Maués, Presidente Figueiredo, Careiro da Várzea, Manacapuru, Novo Airão e Rio Preto da Eva, com atividades direcionadas para o potencial de cada cidade. Uma iniciativa louvável que deve ser aplaudida, sobretudo no momento que as instituições ligadas à ciência sofrem com falta de recursos. Um exemplo é o próprio Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), cujos cortes no orçamento vêm causando sérias dificuldades.
O foco especial na ciência como ferramenta de transformação precisa estar na agenda dos novos representantes que forem eleitos neste ano. Estará nas mãos deles dar à ciência e aos cientistas o merecido protagonismo, fundamental ao desenvolvimento do País, com redução das desigualdades.