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Cinquentenário do Jiu-jitsu no Amazonas: o legado do grande mestre Reyson Gracie desde 1976

Confira na coluna de Almério Augusto o início de uma jornada que, cinquenta anos depois, em 2026, seria celebrada como um divisor de águas para o esporte no estado

Publicado em 05/01/2026 às 22h57 · Atualizado em 06/01/2026 às 13h34
Cinquentenário do Jiu-jitsu no Amazonas: o legado do grande mestre Reyson Gracie desde 1976
Foto: Divulgação

Em 1976, a cidade de Manaus, já rica em sua própria cultura e tradições, estava prestes a receber um novo elemento que transformaria o cenário esportivo e marcial de forma única. Foi nesse ano que o Grande Mestre Reyson Gracie, um nome que já ecoava com prestígio no mundo do Jiu-Jitsu brasileiro, desembarcou na capital amazonense com uma missão clara: implantar e disseminar a arte suave na região. Sua chegada marcou o início de uma jornada que, cinquenta anos depois, em 2026, seria celebrada como um divisor de águas para o esporte no estado.

Antes da chegada do Mestre Reyson, a prática organizada do Jiu-Jitsu em Manaus era incipiente. A cidade, embora vibrante, carecia de uma estrutura formal para o desenvolvimento desta disciplina. Foi a visão e a determinação do terceiro filho homem de Carlos Gracie que preencheram essa lacuna, trazendo não apenas a técnica apurada, mas também a filosofia e a disciplina inerentes ao Jiu-Jitsu, moldando um caminho para futuras gerações de lutadores e praticantes.


Atualmente, rizzon Grace é o patriarca da família Gracie, além de ser o introdutor do jiu-jitsu no Amazonas (Divulgação)

 

O ano seguinte à sua chegada, 1977, foi crucial. Mestre Reyson Gracie fundou a primeira federação de Jiu-Jitsu no Amazonas. Essa iniciativa foi um passo gigantesco, pois estabeleceu uma entidade formal capaz de organizar eventos, regulamentar a prática e promover a modalidade de maneira estruturada. A criação da federação foi o alicerce para o crescimento exponencial que o Jiu-Jitsu viria a ter no estado.

Paralelamente à fundação da federação, Mestre Reyson Gracie organizou o primeiro campeonato oficial de Jiu-Jitsu no Amazonas. Este evento pioneiro não apenas apresentou a arte marcial ao público de forma competitiva, mas também serviu como um catalisador, inspirando muitos a se dedicarem à prática e demonstrando o potencial competitivo dos atletas locais. Foi o pontapé inicial para uma rica tradição de competições que perdura até hoje.


GM Reyson Gracie durante as gravações do documentário “O Clã das Jibóias” de 2022 (Divulgação)

 

A metodologia de ensino do Mestre Reyson era marcada pela rigorosidade técnica, mas também por um profundo respeito aos princípios éticos e morais do Jiu-Jitsu. Ele não ensinava apenas golpes e defesas, mas incutia em seus alunos valores como disciplina, perseverança, respeito e humildade. 

Ao longo das décadas, o legado de Mestre Reyson Gracie floresceu. Seus alunos se tornaram mestres, multiplicando seus ensinamentos e expandindo a prática para diversas academias e cidades do Amazonas. A influência de Reyson transcendeu o tatame, impactando positivamente a vida de milhares de pessoas através dos valores e da disciplina do Jiu-Jitsu.


Reyson Gracie, por meio do seu aluno Luiz Façanha, iniciou a linhagem original de onde descendem todos os campeões que o Amazonas deu para o mundo da arte suave (Divulgação)

 

A importância de sua contribuição foi reconhecida com honras significativas. Em 2022, por exemplo, sua trajetória foi celebrada com o lançamento do documentário “O clã dos jibóias – A história do Jiu-Jítsu na Amazônia” e com a merecida homenagem na Assembleia Legislativa do Amazonas, recebendo a Medalha Ruy Araújo, um testemunho do seu impacto duradouro na cultura e no esporte local.

Ao se aproximar o marco de 50 anos em 2026, a chegada de Mestre Reyson Gracie em Manaus ressoa com ainda mais força. É uma oportunidade para refletir sobre a jornada percorrida, as transformações sociais e esportivas que o Jiu-Jitsu proporcionou ao estado e o papel central que ele desempenhou nesse processo de desenvolvimento.

Este legado de meio século é um testemunho da força da dedicação, da visão e da paixão pela arte suave. A história do Grande Mestre Reyson Gracie em Manaus é a história de como um homem e sua arte podem moldar o futuro de uma comunidade, deixando um rastro de conquistas, disciplina e respeito que continuará a inspirar por muitas e muitas gerações.