Manaus sáb, 17 out
A Crítica
Opinião

Combate à ignorância

Publicado em 10/02/2021 às 11h37 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h49
Combate à ignorância

A vacinação da população brasileira prossegue, ainda que em meio a tropeços e incertezas. Além da dificuldade gigantesca em obter todas as doses necessárias, também será preciso vencer a resistência daqueles que, contra toda lógica, rejeitam a imunização. E eles são muitos. Pesquisa Datafolha divulgada no final de 2020 revelava que 22% dos brasileiros pretendiam não se vacinar e outros 5% estavam indecisos. Se esse índice for verificado na prática, a eficácia da imunização estará comprometida, principalmente considerando que, segundo os especialistas, a imunização somente será eficaz com algo entre 65% e 70% da população devidamente vacinada. Como o País conta com mais de 209 milhões de habitantes, estamos falando da necessidade de vacinar pelo menos 135 milhões de brasileiros.

É triste e preocupante o poder da desinformação, mas é gigantesco o número de pessoas que se manifesta abertamente contra a vacinação com argumentos que vão de “chip líquido” a todo tipo de teorias da conspiração. Essa situação acaba gerando uma controvérsia. Como estamos em uma democracia, onde é assegurada a liberdade de opinião e manifestação, cada pessoa é livre para acreditar e defender o que quiser.

Desse ponto de vista – e como já foi publicamente defendido até mesmo pelo presidente da República – toda pessoa é livre para se recusar a ser vacinada. Porém, como estamos diante de uma das maiores crises sanitárias da história e a vacinação é sabidamente a única arma disponível contra a doença, o debate precisa ser aprofundado. O direito de ser ignorante está a todos assegurado, mas como qualquer outro direito, tem limites. Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) ratificou o direito individual de optar pela não vacinação, mas decidiu que o Estado pode impor medidas restritivas àqueles que se recusarem a tomar o imunizante. Nessa mesma linha, o Ministério Público do Trabalho (MPT) acaba de se manifestar. Em orientação aos procuradores, o órgão definiu que trabalhadores que não quiserem se vacinar contra covid-19 poderão ser demitidos por justa causa. A medida precisaria ser precedida por ações de esclarecimento junto aos trabalhadores. O MPT se antecipa a uma situação que certamente terá que ser enfrentada, a enorme desinformação a respeito das vacinas.