Conflitos na Amazônia
A disputa por terra é um problema sério no Brasil desde antes da chegada dos portugueses. A Amazônia sempre esteve inserida nesses conflitos, mas a pressão sobre a região vem aumentando consideravelmente nos últimos meses, sobretudo por parte da agropecuária de larga escala pressiona largas áreas como o Sul do Amazonas. A imensidão amazônica é vista por empresários do agronegócio como a última fronteira a ser explorada, com terra farta e barata. O avanço da atividade econômica é muito desejável, algo que a Amazônia e o País precisam desesperadamente em tempos de indústria em declínio e economia estagnada.
É possível desenvolver a atividade agrícola empresarial na Amazônia, de forma eficiente, produtiva e ecologicamente sustentável. Mas é necessário considerar que o capital não tem consciência ambiental, muito menos humana. O Estado precisa mediar, por meio da lei e dos órgãos de controle, o avanço da atividade econômica. Do contrário, o agronegócio vai transformar indiscriminadamente floresta em pastos, passando por cima de indígenas e comunidades tradicionais no processo.
O governo tem papel fundamental nesse processo. O simples discurso anti-ecológico, sem qualquer alteração na base legal, já basta para incentivar a atuação de fazendeiros, que se sentem autorizados a expandir seus domínios controlando o acesso da população tradicional amazônica. É o que já está ocorrendo em municípios como Boca do Acre, Canutama, Humaitá e até Autazes, onde o Ministério Público tem registrado a escalada dos conflitos entre fazendeiros, índios, coletores e ribeirinhos. A situação tende a piorar com o anúncio de que os limites de áreas protegidas, inclusive na Amazônia, serão revisadas. A mediação eficiente do Estado só pode ser exercida por meio de instituições fortes como Ibama, Funai, Incra e Polícia Ambiental.
Ainda não há uma política de desenvolvimento clara para a Amazônia. mas não se pode deixar de considerar o potencial econômico que pode advir da floresta preservada por meio do turismo e do pagamento por serviços ambientais, algo que os estados amazônicos e o governo federal ainda não conseguiram fazer. Por ora, o cenário que se desenha para a região é preocupante e requer total atenção da sociedade.