Manaus sex, 23 out
A Crítica
Opinião

Confusão produzida deliberadamente

Publicado em 09/12/2020 às 11h04 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h28
Confusão produzida deliberadamente

A desorientação produzida no meio da população brasileira sobre os protocolos de prevenção à Covid-19 tem objetivo e metas a serem alcançados. Confundir e, no meio dessa confusão, demonstrar quem ganha na batalha insana travada por líderes políticos e ecoada por seus seguidores.

O Governo do Brasil que deixou de se posicionar de forma responsável e tecnicamente respaldada na condução do plano de enfrentamento à pandemia vive, hoje, na maioria das capitais e ou regiões metropolitanas situação desesperadora enquanto autoridades públicas disputam o poder do cacifado. Os que estão, nesse momento, em frente às unidades de atendimento médicos e não conseguem leitos, atendimento adequado produzem o espetáculo do desespero que, pela conduta das autoridades públicas e de parcela da população, não produz reação de mudança, não importa.

É nesse contexto que o Governo Federal, comprometido constitucionalmente, a cuidar da população, atua para produzir estragos profundos e ampliar o drama de milhares de brasileiros doentes, com familiares contaminados pelo coronavirus ou por outras doenças, todos vulneráveis. A forma escolhida de conduzir o pais na pandemia desde o primeiro momento dela na vida nacional tem sido a mais deplorável, estabeleceu conflitos entre o presidente da República e ministros, atiçou grupos de apoiadores a atos públicos de constrangimento e de agressão a profissionais da saúde, aos jornalistas, a governadores e prefeitos que seguiram noutra direção; estimulou o não uso de equipamentos de proteção e os ataques a cientistas.

Os posicionamentos em defesa da volta ampla e irrestrita das atividades, do êxito da economia e o longo silêncio sobre as medidas governamentais para lidar com a pandemia permanecem. São sinais para manter a multidão nas ruas, ignorar os procedimentos de prevenção e, aos que adoecem e morrem, fica a indicação de que é “assim mesmo. Nada pode ser feito”. O Brasil, nessa pandemia, é como um barco sem comandante, onde cada um, a seu modo de compreender e diante do limite de ação, atua. O antagonismo produzido entre a ciência, a saúde, os protocolos médico-sanitários e a economia, conseguiu abrir espaço largo para a desorientação, o conflito e o lucro de poucos nos negócios da doença, sofrimento e morte. Chegamos ao último mês do ano nesse ritmo e com a Covid-19 em explosão enquanto o governo parece não se importar.