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A Crítica
Opinião

Confusões direcionadas?

Publicado em 24/03/2019 às 13h04 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h34
Confusões direcionadas?

O tratamento dispensado ao tema reforma da previdência demonstra inabilidade governamental ou excesso de convicção de que pode tratar, da forma como vem tratando, questão de tamanha relevância. O esquema de ataque, por parte dos filhos do presidente do País, e de reconsideração em tom conciliatório, como segundo ato desempenhado por Bolsonaro e aliados, vai se tornando frequente e dá sinais de que começa a cansar a população. Na disputa travada entre Governo, Legislativo e Judiciário, sobra para os brasileiros ora vistos como joguete de uma briga de baixo nível em nome de grandes interesses de grupos.

A confusão criada nesses três primeiros meses da gestão Bolsonaro, a partir de mensagens divulgadas em redes sociais que giram em torno do presidente e ou de declarações dos filhos que insuflam os ânimos e desrespeitam a interdependência dos poderes atende à estratégia comunicacional. Mas, poderá se constituir em mecanismo de esfacelamento do próprio governo. Os filhos continuam agindo por meio de postagens sucessivas cujo mérito até agora é provocar discussões e ranhuras enquanto as medidas necessárias e o diálogo entre os poderes para que estas sejam analisadas e votadas são atropeladas. O governo sabe que em determinadas matérias necessita consultar o Congresso Nacional e quando opta por desconsiderar o ritual demonstra que pretende permanecer nesse tipo de jogo.

O País pede urgência na produção de mais postos de trabalho, na melhoria salarial dos trabalhadores brasileiros, na realização de reformas necessárias, desde que tratadas com profunda responsabilidade e mais transparência. A interdependência dos poderes tem em seu cerne o respeito, ou seja, a divergência precisa existir e ser conhecida, porém o desrespeito não faz parte do pacto republicano. É o que se tornou corriqueiro, não por ingenuidade e despreparo, pois todos os atores presentes nesse processo são conhecedores e participantes dele, principalmente do Poder Legislativo. O que está sendo desenhado é um tipo de jogada que pode agravar profundamente a situação do Brasil e levar a cenas de convulsões sociais de maiores proporções. A tática ‘provoca incêndio/aciona os bombeiros,’ por excesso de uso, poderá incentivar explosões. Nesta última semana, no circuito EUA-Brasil-Chile feito pelo presidente, foi esse tipo de comportamento que ganhou evidência. A nova semana inicia com o trabalho de bombeiros nos focos de incêndio.