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A Crítica
Opinião

Conhecimento científico e uso

Publicado em 27/12/2018 às 11h26 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h52
Conhecimento científico e uso

A ciência e a inovação tecnológica podem contribuir decisivamente para o Amazonas experimentar outra etapa de desenvolvimento sem submeter-se a propostas que poderiam custar um alto preço aos ecossistemas do Estado. Matéria publicada no domingo por A CRÍTICA, na página 3, seção Tema do Dia, expõe uma das razões de o Estado andar em ritmo mais lento e não responder por demandas que há décadas são apresentadas e ignoradas em larga escala.

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) é uma das instituições que está produzindo e disponível para atuar em parceria na aplicação efetiva do conhecimento que há anos coloca como bem público. Nesse momento, o instituto tem 64 patentes que poderiam ser pontes na construção de um Amazonas mais moderno, social e justamente desenvolvido. O que fazer com essas iniciativas? Como tornar útil à sociedade o conhecimento cientifico produzido?

Eis um momento estratégico para que o corpo de ação e de direção do Inpa, o governo estadual, o legislativo e o judiciário agirem na perspectiva de formalizar uma primeira versão de uma proposta de atuação mais aproximada, mais respeitosa e criativa na operacionalização desses conhecimentos. Falta, acima de tudo, disposição e vontade política para instaurar uma cultura de convivência de ideias e diálogos que tenham como objetivo principal o desenvolvimento do Estado.

Criar e estimular esse tipo de postura é uma necessidade urgente e um instrumento a ser manejado dentro de um planejamento em curto, médio e longo prazo. Um novo governo está às vésperas de tomar posse e poderá fazer dessa postura uma das primeiras no elenco de prioridades apresentadas. Em nível nacional, a principal proposta desenhada para o Amazonas e a Amazônia está sintonizada com outros interesses que deverão gerar muitos conflitos tanto interna quanto externamente. Redução das áreas indígenas demarcadas, exploração de minérios em terras indígenas, abertura de garimpos, revisão de áreas de preservação ambiental e apoio a exploração madeireira. Esses são temas que historicamente são apresentados como proposta para desenvolver a Amazônia, com resultados igualmente trágicos.  O que interessa a uma parte do Brasil e de alguns países desenvolvidos nem sempre é mais saudável para a Amazônia e o Amazonas. Espera-se que a produção cientifica da região seja olhada com atenção e colocada em uso.