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A Crítica
Opinião

Constrangimento na celebração

Na década de 1970, o dia 8 de março foi adotado como o Dia Internacional da Mulher pelas Nações Unidas, tendo como objetivo lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres.

Publicado em 08/03/2024 às 10h38
Constrangimento na celebração
Foto: Agência Brasil

O Dia Internacional da Mulher foi oficializado pela Organização das Nações Unidas (ONU) há quase 50 anos, como forma de provocar reflexão a respeito dos diretos que deveriam ser reconhecidos às mulheres. Mas isso foi resultado de um movimento que iniciou muito antes, no início do século XX. Naquela época, com o início da Segunda Guerra Mundial em 1914 – que moveu enormes contingentes de homens das fábricas para o front de batalha – as mulheres tiveram que se incorporar à força de trabalho, e é claro que se logo se mobilizaram em face dos abusos.

Na década de 1970, o dia 8 de março foi adotado como o Dia Internacional da Mulher pelas Nações Unidas, tendo como objetivo lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, independente de divisões nacionais, étnicas, linguísticas, culturais, econômicas ou políticas.

Quase meio século se passou, e estamos mais uma vez “celebrando” o Dia Internacional da Mulher. Mas não há como negar que, para onde quer que olhemos, há um certo constrangimento em falar da data. Ontem, por exemplo, houve uma sessão especial no Supremo Tribunal Federal em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Impossível não haver constrangimento, uma vez que a Corte acaba de reduzir pela metade o número de representantes femininas.

Com a aposentadoria da ministra Rosa Weber, que se retirou após 12 anos na STF, a única mulher na Suprema Corte é a ministra Cármen Lúcia. Esperava-se que uma mulher fosse indicada como substituta de Weber, mas não aconteceu. Ressalte-se que, em 132 anos de STF, apenas três mulheres foram ministras.

Algo assim se repete nos mais diversos aspectos da sociedade. Tanto que, quando uma mulher assume pela primeira vez uma posição de destaque, a imprensa faz questão de ressaltar que se trata da “primeira mulher” a conquistar tal coisa. 

Teremos ainda muito trabalho para que o Dia Internacional da Mulher não se transforme em mais uma efeméride no calendário, um dia de dar flores, entregar cartões, enquanto seguimos  azeitando as engrenagens de um mundo que ainda as vê como pessoas menos capazes, mas que merecem aplausos já que chegaram “tão longe”. Esperamos o dia em que não seja mais necessário um Dia Internacional da Mulher, pois a igualdade de gêneros já será universalmente reconhecida.