Contrabando e falsificações sem fim
O contrabando causa perda em impostos de R$ 193 bilhões por ano para o País. Isso é mais que o faturamento anual de todas as empresas do Polo Industrial de Manaus, que fechou 2018 com R$ 92,7 bilhões. Em tempos de economia avançando a passos de tartaruga, o poder público tem apertado o laço para conter despesas, aumentar a arrecadação e manter o equilíbrio das contas. Uma boa medida seria apertar o cerco ao contrabando, recuperando pelo menos parte das receitas tributárias perdidas com o comércio ilegal de mercadorias, que é gigantesco e vem crescendo mais a cada ano.
É claro que combater o contrabando e o comércio de produtos falsificados não é tarefa simples. Infelizmente, trata-se de algo tão entranhado no cotidiano que já está banalizado. Ninguém tem medo de expor DVDs pirateados grosseiramente em qualquer calçada. O vendedor não tem o menor receio de que as autoridades possam recolher a mercadoria. Tampouco a população se importa em consumir tais produtos sem jamais considerar que fazem parte de um ciclo criminoso.
O mesmo acontece com cigarros contrabandeados vendidos livremente no Centro de Manaus. Quebrar essa mentalidade, a banalização desse tipo de crime, é um desafio hercúleo, mas que precisa ser encarado com seriedade pelos governos, até por que, em alguns casos, o problema é de saúde pública, quando falamos, por exemplo, de remédios falsificados.
O combate ao contrabando e à falsificação não pode ter êxito sem o apoio da própria população. Sem isso, continuará sendo um eterno enxugamento de gelo. A Receita Federal faz sua parte: o volume de apreensões em Manaus cresceu mais de 1,7 mil por cento neste ano. Mesmo assim, as falsificações de todo tipo podem ser vistas e consumidas em inúmeros pontos da cidade. A população precisa parar de ver os produtos falsificados como “oportunidades” para gastar menos. Mas isso não vai acontecer de uma hora para outra. É necessário um trabalho de educação que precisa começar em casa e continuar na escola até impregnar a sociedade.
É quase uma utopia, mas assim com a conscientização ambiental, é possível. Mas precisa começar, ou continuaremos convivendo com um gigantesco mercado paralelo de praticamente tudo.