Manaus seg, 26 out
A Crítica
Opinião

Controvérsias do desenvolvimento no Amazonas

Publicado em 24/09/2020 às 12h32 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h32
Controvérsias do desenvolvimento no Amazonas

Os projetos do Governo Federal para o desenvolvimento do Amazonas estão sendo colocados em prática sem a participação direta do principal interessado, o Amazonas, representado pelo conjunto da população, das instituições e das organizações dos setores produtivos e sociais. É, no mínimo estranho, conduzir uma proposta de um novo ciclo de desenvolvimento do Estado a partir de Brasília e ou de grupos de contatos muito restritos que possuem propostas desenvolvimentistas antagônicas.

A retomada da pauta cassinos no Amazonas, anunciada há quatro dias, pelos filhos do presidente da República, os parlamentares Flávio e Eduardo Bolsonaro, em visita a Manaus é um desses pontos de estranhamento. Que há muitas décadas uma fração de pessoas que a instalação de cassinos no Amazonas não é novidade, o interesse de determinados investidores nesse tipo de negócio também não. Falta discutir e muito sobre quais vantagens a sociedade amazonense teria com essa atividade. O que essa modalidade de negócio, como um outro ciclo de desenvolvimento, representaria, quais os riscos, os estragos, o que virá no rastro dos investidores em cassinos?

Outro item desse espectro de propostas para desenvolver o Amazonas está afeito a atividades que historicamente têm provocado o êxodo de populações, aprofundado a violência contra comunidades tradicionais e povos indígenas, ampliado margens de lucros a um estreito grupo empresarial e, como saldo geral, ampliou o nível de destruição dos recursos naturais, a propagação de doenças e da pobreza. A desigualdade socioeconômica da população amazonense é elevada tanto em Manaus quando nos demais 61 municípios.

O que está na cabeça do governo federal e de uns poucos com os quais trata desses projetos não pode continuar a ser tratado como assunto restrito ou privado. É da vida dos amazonenses que essas medidas em articulação e implementação estão tratando. Nesse momento, o corpo parlamentar da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, das câmaras dos 62 municípios amazonenses, a bancada do Amazonas no Congresso Nacional, e o governo do Estado têm o dever constitucional de buscar saber qual é o plano federal e, se sabem, apresenta-lo e debate-lo com as representações sociais, econômicas e a população do Estado. O que se verifica nas entrelinhas das falas oficiais do governo federal é um retorno a velhas propostas apresentando-as como inovadoras e que com elas o Estado se tornará desenvolvido. Quem irá se beneficiar?