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A Crítica
Opinião

Correios rumo ao setor privado

Publicado em 07/07/2021 às 11h35 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h38
Correios rumo ao setor privado

Reduzir o peso do estado por meio de privatizações é o caminho seguido por praticamente todas as nações desenvolvidas. Os benefícios são vários: aumento na qualidade dos serviços, competitividade do setor e alívio orçamentário para o poder público, que pode concentrar esforços em setores essenciais como saúde, educação e infraestrutura. Atualmente, ainda que aos trancos e barrancos, o Brasil vem abrindo caminho para as privatizações da Eletrobrás e acaba de dar os primeiros passos para a venda da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos ao setor privado.

O modelo de privatização que será apresentado pelo governo federal prevê a venda de 100% da empresa, ou seja, o governo deixará o serviço postal inteiramente a cargo da iniciativa privada. O assunto ainda será exaustivamente debatido e se espera que diversos pontos sensíveis recebam a devida atenção. Apenas para citar um exemplo: nos longínquos rincões da Amazônia, os Correios desempenham um papel que transcende o mero serviço postal. As agências funcionam também como bancos, e verdadeiros centros de distribuição de todo tipo de produto, de alimentos a remédios. Frequentemente, a agência dos Correios é uma das únicas representantes da esfera federal nos municípios mais distantes. 

Não resta dúvida que, em diversas localidades, a operação do serviço, em função das características da demanda, não se justifica do ponto de vista econômico, sendo uma atividade de relevante cunho social. Como ficam essas localidades em caso de privatização da empresa? O serviço correrá algum risco de ser descontinuado? 

Ouro aspecto que precisa ser levado em conta diz respeito à própria operacionalização da venda. Os Correios acumulam dívidas gigantes que precisam ser sanadas. Estudo do BNDES revela que, entre outros problemas, a empresa não tem tecnologia, tem baixa produtividade e que o faturamento está em queda. Com tantas questões em aberto, o processo de venda dos Correios não pode ser realizado a toque de caixa, apenas para que o governo possa dar um recado ao mercado, tentando resgatar um certo veniz liberal, bastante desbotado por posturas claramente populistas e intervencionistas. Os Correios já foram a segunda instituição mais confiável do País, perdendo apenas para a família. É preciso resgatar esse prestígio.